quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Ó Rússia

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Ó Rússia, minha terra natal,

As casas de campo- vestidas com o santo.

Não se vê fim ou limite -

Apenas o azul enche os olhos.

Como um sagrado peregrino que passa,

Contemplo os teus campos.

Nos arredores de aldeias pobres,

Os choupos murcham com um som melodioso.

Cheira a maçã e a mel

Em igrejas, celebra-se o doce Salvador.

E cantam, ao som do tamborim,

Nos prados, uma alegre dança sem fim.

Correrei pelo caminho esmagado

Para a liberdade dos verdes campos,

Ao meu encontro, como brincos,

Ressoará o riso das donzelas.

Se o exército sagrado gritar:

«Abandona a Rússia, vive no paraíso!»

Eu direi: «Não quero o céu,

Mas sim a Rússia que eu amo.»


1 9 1 4         Sergei Esenin (Yesenin)