* * *
Ó Rússia, minha terra natal,
As casas de campo- vestidas com o santo.
Não se vê fim ou limite -
Apenas o azul enche os olhos.
Como um sagrado peregrino que passa,
Contemplo os teus campos.
Nos arredores de aldeias pobres,
Os choupos murcham com um som melodioso.
Cheira a maçã e a mel
Em igrejas, celebra-se o doce Salvador.
E cantam, ao som do tamborim,
Nos prados, uma alegre dança sem fim.
Correrei pelo caminho esmagado
Para a liberdade dos verdes campos,
Ao meu encontro, como brincos,
Ressoará o riso das donzelas.
Se o exército sagrado gritar:
«Abandona a Rússia, vive no paraíso!»
Eu direi: «Não quero o céu,
Mas sim a Rússia que eu amo.»
1 9 1 4 Sergei Esenin (Yesenin)