* * *
Negra terra, impregnada de suor!
Como poderia eu não te acariciar, não te amar?
Saio para o lago pelo cais azul,
E a graça do entardecer aninha-se no meu coração.
As cabanas erguem-se como uma fileira cinzenta,
Os juncos balançam suavemente, emitindo um som abafado.
A fogueira vermelha banhou as frigideiras,
Entre os galhos, as pálpebras brancas da lua.
Silenciosamente, agachados, nas manchas do amanhecer,
Os velhos ceifeiros ouvem o conto do ancião.
Algures ao longe, na curva do rio,
Cantam os pescadores uma sonolenta canção.
A planície ilumina-se com o brilho do estanho.
Triste canção, tu és a angústia da Rússia.
1914 Sergei Esenin (Yesenin)