quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Negra terra

 * * *

Negra terra, impregnada de suor!

Como poderia eu não te acariciar, não te amar?

Saio para o lago pelo cais azul,

E a graça do entardecer aninha-se no meu coração.

As cabanas erguem-se como uma fileira cinzenta,

Os juncos balançam suavemente, emitindo um som abafado.

A fogueira vermelha banhou as frigideiras,

Entre os galhos, as pálpebras brancas da lua.

Silenciosamente, agachados, nas manchas do amanhecer,

Os velhos ceifeiros ouvem o conto do ancião.

Algures ao longe, na curva do rio,

Cantam os pescadores uma sonolenta canção.

A planície ilumina-se com o brilho do estanho.

Triste canção, tu és a angústia da Rússia.

1914                           Sergei Esenin (Yesenin)