A mãe foi até Kupalnica, caminhando pela floresta.
Descalça, com os pés encravados, vagueava pelo orvalho.
As ervas mágicas os pés lhe picavam,
De dor, a minha querida chorava entre os arbustos.
Sem saber porquê, por espasmos no fígado foi tomada,
Um gemido a ama soltou e, nesse instante, deu à luz.
Nasci com canções num cobertor de ervas,
As auroras da primavera enrolaram-me num arco-íris.
Cresci até à maturidade, neto da noite de Kupala,
O crepúsculo mágico profetiza-me felicidade.
Mas a felicidade que me espera não é de boa-fé,
Escolho a ousadia, os olhos e as sobrancelhas.
Como um branco floco de neve, no azul do céu eu me escondo
E apago o meu rasto perante um destino que separa.
1912 Sergei Esenin (Yesenin)