terça-feira, 6 de outubro de 2026

A mãe foi até Kupalnica, caminhando pela floresta.

Descalça, com os pés encravados, vagueava pelo orvalho.

As ervas mágicas os pés lhe picavam,

De dor, a minha querida chorava entre os arbustos.

Sem saber porquê, por espasmos no fígado foi tomada,

Um gemido a ama soltou e, nesse instante, deu à luz.

Nasci com canções num cobertor de ervas,

As auroras da primavera enrolaram-me num arco-íris.

Cresci até à maturidade, neto da noite de Kupala,

O crepúsculo mágico profetiza-me felicidade.

Mas a felicidade que me espera não é de boa-fé,

Escolho a ousadia, os olhos e as sobrancelhas.

Como um branco floco de neve, no azul do céu eu me escondo

E apago o meu rasto perante um destino que separa.

1912                         Sergei Esenin (Yesenin)