quarta-feira, 26 de maio de 2010

Colapso (2009)



(EUA, 2009, - Direcção:Chris Smith)
Para não falar que ninguém nos avisou sobre o provável futuro que teremos...
Aprenda com Michael Ruppert, uma das mentes mais brilhantes dos EUA, cheio de conhecimento, clareza, discernimento de preocupações e de amor pela humanidade. Suas previsões são infalíveis, seu cepticismo é arrebatador.
(docverdade)

Comentários docspt: De uma forma geral, os Americanos preferem ouvir boas notícias. Gostam de acreditar que o novo presidente irá corrigir o que está mal, que a energia limpa irá substituir o petróleo e que uma nova linha de pensamento irá tornar honesta a economia. Estudiosos americanos tendem a conter o seu pessimismo e a esperar pelo melhor. Mas estará alguém preparado para o pior?
Conheça Michael Ruppert, um americano diferente. Ex-policial de Los Angeles que virou jornalista independente, ele previu a actual crise económica no seu folheto informativo, "From the Wilderness", numa altura em que a maioria dos analistas em Wall Street e em Washington estavam ainda em negação.
(...)
Colapso serve também como retrato de um solitário. Com o passar dos anos, Ruppert manteve-se fiel ao que acredita apesar de feroz oposição. Ele descreve candidamente os sacrifícios e motivações da sua vida. Enquanto outros observadores analisam detalhes da crise económica, Ruppert vê-a como um sintoma de nada mais do que o colapso da própria civilização industrializada.

Versão Completa Youtube

Torrent - Legendas pt-po

sábado, 15 de maio de 2010

Un Poquito de Tanta Verdad - A Little Bit of So Much Truth (2007)



(EUA, 2007, 93min. - Direção: Jill Irene Freidberg)

Excelente oportunidade de ver a relação entre média e poder!

Comentário dos produtores:
"No verão de 2006 explode um levante popular massivo no estado de Oaxaca no sul do México. Alguns o compararam à Comuna de Paris. Porém, o que realmente fez historia em Oaxaca foi as novas formas de organização social que apareceram, as novas formas de tomadas de decisão, a negação de todas as instuições estatais e também o uso dos meios de comunicação.
Um Poquito de Tanta Verdad mostra o fenômeno sem precedentes que teve lugar quando dezenas de milhares de professores, donas de casa, comunidades indígenas, trabalhadores da saúde, camponeses e estudantes se apoderaram de 14 emissoras de radio e de uma emissora de televisão, utilizando-as para organizar, movimentar e finalmente defender sua luta por justiça social, cultural e econômica"

Google Video

Torrent

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Revolução dos Cocos - Coconut Revolution - Bougainville Our Island Our Fight (1999)

Impotentes perante um mundo capitalista selvagem? Vejam isto então...




(Reino Unido, 1999, 50min. - Direção: Dom Rotheroe)

Imperdível !!! A história contada por esse documentário é tão incrível, que poderia ser uma fábula.

Imagine a população de uma ilha - desapropriada por uma concessão de extração de cobre – cansada de ver suas matas serem destruídas, sabotam as instalações da maior empresa mineradora do mundo.
Depois disso, enfrentam com flechas, as metralhadoras do país que domina a ilha, depois enfrentam o militares da Austrália, depois os mercenários e um embargo de 7 anos.
Como conseguir armas, alimentos, combustíveis, energia eléctrica e medicamentos com o embargo?
Criatividade, optimismo e força de vontade transformaram esse povo da ilha de Bougainville num dos melhores exemplos de sustentabilidade e resistência do mundo.
Talvez, juntamente com "The Take" o mais belo documentário aqui postado.
(Sinopse original do docverdade)

Revolução dos Cocos no youtube


Torrent - Legendas pt-br

A nossa fúria e a nossa revolta, por BAPTISTA-BASTOS




2010.05.05
Não me recordo de termos sido felizes. O 25 de Abril abriu as parangonas dos nossos testemunhos mútuos, mas a festa durou, apenas, pouco mais de ano e meio. A euforia termina sempre na indolência, outro modo de resignação. Desde que me recordo, vivi cercado pela crise, mas, também, pelos acenos dos "amanhãs que cantam." Com este ou com outro estribilho, os homens admitem o sofrimento e, às vezes, até, a abjecção das épocas, na esperança de que o futuro será melhor. Talvez eu seja um pouco tonto, talvez, ou um teimoso obstinado e caturra; porém, continuo a acreditar no surgimento de outra coisa que substitua esta selvajaria sufocante.
Acordamos e deitamo-nos sob a pressão da catástrofe iminente. A imprensa, as rádios e as televisões encharcam-nos de medo e de desassossego, a moderna aptidão para se abraçar um certo estado de vida. Viver no medo e no desassossego foi a ideologia dominante nos cinquenta anos salazaristas. Um medo e um desassossego larvares, prolongados, depois, pela natureza canibal de uma economia, que assaltara, de mão armada, a política, e ameaça a saúde da democracia. Como, aliás, se vê por aí.
Emmanuel Mounier, o filósofo do personalismo, que li, e releio, com mão diurna e nocturna, escreveu: "O homem renova, perpétuamente, o aspecto das suas indignações" - para nos ensinar do transitório das coisas e da necessidade de não perdermos o fio à meada de uma batalha nunca ganha mas também nunca perdida.
Chegámos a uma situação perigosa. O papel essencial do trabalho, na sociedade, é desprezado por uma laia dirigente, emproada e vil, ignorante da experiência da História, e que não sabe redefinir as bases do contrato social. O caso da Grécia, independentemente dos seus contingentes pecados, é significativo dessa vileza. A senhora Merkel, cuja cabeça não é, propriamente, um bulício de inteligência, desconhece que o projecto europeu (seriamente avariado) constitui a aprendizagem de viver juntos. Ao recusar auxiliar os gregos, nomeava a Alemanha como dona da Europa. Ignorava que a Europa ajudara a Alemanha a recompor-se das ruínas, pressionando, inclusive, os Estados Unidos a colaborar na empresa.
Ainda há horas vi, na televisão, o rosto desfeito em lágrimas, em dor, em susto, em assombro, de uma desempregada da Allcoop, cadeia de supermercados no Algarve, que formulou esta dramática pergunta: "Quem nos ajuda?" Ninguém. Com esta Europa, com este, e outros ruinosos governos, cheios de piedade sentenciosa e de explicações superficiais, nada há a esperar.
Resta-nos a fúria da nossa repulsa e a força imparável da nossa revolta.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Histeria papal, e outros berros...






As decisões do aparelho político dirigente das classes burguesas, a propósito da vinda do papa católico a Portugal, revelam a sua refinada hipocrisia, assim como constituem mais uma prepotência em relação às classes exploradas e ao povo deste País.

Numa altura de “crise”, em que se exigem enormes sacrifícios aos trabalhadores, esbanja-se grande quantidade de dinheiro (a nível público e privado), numa operação de
marketing e fausto, que constitui um enorme escândalo. Isto, para além de considerarmos que as posições assumidas por este papa, ao longo da sua vida, têm sido geralmente retrógradas e violadoras das liberdades dos homens e mulheres deste nosso mundo.

A "crise" é, de facto, só para alguns...


O texto que se transcreve a seguir foi retirado do excelente blogue
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

O povo saiu à rua num dia assim

Que me desculpe o povo deste país mas gente mais aparvalhada não há. É comodista, resignado e pouco dado a incomodar-se.

Não sai à rua para defender os direitos que todos os dias lhe roubam, não sai à rua para defender os empregos que lhe tiram, não sai à rua para defender os salários que cada dia são mais de miséria, não sai à rua para correr com os corruptos que por ai andam, não sai à rua para exigir justiça, não sai à rua para acabar com a pouca vergonha dos compadrios pagos a milhões, nem para impedir que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para salvar os bancos e não o país.

Não sai à rua para lutar, mas vai em peso saltar para a rua quando o seu clube ganha um campeonato, e vai voltar a sair para ver o papa.

Depois, quando tudo desabar, lá vão a Fátima pedir aos santinhos que os salvem.

Ontem à noite bem tentei saber notícias deste país e deste mundo, mas só dava futebol e mais futebol. Horas e horas como se nada mais fosse importante. Hoje saltaram de alegria e amanha vão ver o papa. Bons temas de conversa para terem depois de amanha na bicha do centro de emprego.

sábado, 8 de maio de 2010

Bolonha: dez anos de indigestão


No passado dia 15 de Março, foram assinalados os dez anos da assinatura da Declaração de Bolonha. O acordo, celebrado entre cerca de 47 países, previa a formação de um espaço transnacional de ensino superior que possibilitasse um maior intercâmbio entre instituições e uma maior mobilidade dos seus estudantes. Desde o início, os objectivos de Bolonha eram facilmente evidenciáveis, sendo possível identificar no seu texto os habituais chavões neoliberais, como a «promoção da competitividade entre instituições» ou o fomento dos níveis de «empregabilidade» dos seus formados. Se a retórica pouco enganava, a sua aplicação prática não deixaria margens para dúvidas.
Em Portugal, a assinatura da declaração irá gerar, directa ou indirectamente, profundas mudanças no sistema de ensino superior. O valor de propinas, até então fortemente contestado, sofre um aumento brutal (superior aos 100%), tornando cada vez mais difícil a condição dos estudantes com menores rendimentos. Perante uma acção social escolar incapaz de responder a estas situações, a banca consegue uma maior penetração no ensino superior, aproveitando o vazio criado pelo estado. Através do seu sistema de empréstimos a estudantes, iniciam os jovens numa prática adulta: o endividamento.
Ao aumento de custos, contrapõe-se a diminuição da qualidade de ensino. A necessidade de se fabricar trabalhadores qualificados, prontos a alimentar qualquer call-centre ou centro comercial, conduziu à diminuição do número de anos de licenciatura (de 4 para 3) e ao aumento dos cursos de mestrado, não sujeitos a financiamento público. Bolonha, deste ponto de vista, parece procurar impor nas universidades um quase apartheid de classe: os mais pobres ficam cada vez mais afastados do ensino superior; os que têm alguns recursos têm uma licenciatura com menos anos, mas a um maior preço; os mais privilegiados têm a possibilidade de vir a complementar a licenciatura com a frequência de mestrado.
A redução do orçamento para o superior, verificada ao longo da última década, traduziu-se igualmente na precarização dos docentes – assinalada pela introdução de um novo jargão economicista: o conferencista, professor universitário a recibo-verde – e na subcontratação de algumas das suas esferas, nomeadamente dos serviços de cantina.
Porque enquanto houver infâmia, haverá resistência, vários grupos de estudantes organizaram uma cimeira alternativa, paralela à conferência europeia, com o objectivo de contestar a transformação do direito à educação em mercadoria, e de construir alternativas e estratégias comuns.
Para a próxima 4ª feira, 24 de Março, dia do estudante, algumas associações de estudantes (ESAD das Caldas da Rainha e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) estão a mobilizar para uma manifestação em Lisboa pelo ensino superior público, enquanto que em Coimbra decorrerá uma acção simbólica.

War Dance (2007) - A Dança da Guerra


(EUA, 2007, 107 min. - Direção: Sean Fine, Andrea Nix)

Maravilhoso!
Tocante e envolvente história de delicadeza em meio ao sofrimento.
Numa zona de guerra extremamente conflituosa, onde a violência humana parece não ter limite para tanta barbárie, surge, numa escola infantil, a música. As crianças, muitas delas que testemunharam assassinatos de seus pais, sequestros de seus irmãos, a perda de tudo, tem um momento para poder esquecer o desespero de suas vidas nos campos de refugiados para participar do maior concurso de música e dança de Uganda.

"Música é a nossa tradição, nem a Guerra pode tirá-la de nós".
(Comentários: Docverdade)

Trailer

Torrent TPB - Legendas Pt-PO(OpenSubtitles) - Legendas pt-po (EasyShare)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Enquanto bebemos o nosso café na esplanada...


A sol brilha forte. A nossa alegria multiplica-se pelo numero de amigos que vemos na esplanada, aqueles que não vemos há já não sei quanto tempo.

Os miúdos brincam com um raio de uma lata de coca-cola, fazendo um barulhão que quase parece o fim do mundo. Mas não é. Apenas crianças brincando com lixo.

O fim do mundo, o verdadeiro, o mundo que conhecemos, começou bem longe daqui, numa tal de WALL STREET, NASDAQ e outras siglas importadas do outro lado do Oceano, dos países "desenvolvidos", que inventaram um FMI, entre outros, e criaram dívidas para o "nosso" Estado.
"Vivemos acima das nossas posses" dizem-nos nos programas da manhã da télévisão.

Mas eu nem sequer tenho um carro. Terá sido aquele chocolate que comi ontem?
Não interessa. Para salvar o PAIS, nossos democraticamente eleitos lideres irão ajoelhar-se perante FMI e Bancos Centrais, e pedir empréstimos que só os meus filhos por nascer irão pagar, quando completarem 50 anos.

A escravidão será a nossa herança.
Tudo isto enquanto bebemos o nosso café na esplanada.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Governo diz que Estado deve poder recorrer a trabalho temporário, e eu que nao sei se vou receber em Abril




A ministra do Trabalho sublinhou, esta terça-feira, que a par dos privados também o Estado tem que ter a possibilidade de recorrer a trabalho temporário, «desde que seja dentro da legalidade».

A ministra do Trabalho considera que, nas sociedades actuais, o recurso do Estado ao trabalho temporário deve ser encarado com "naturalidade". Helena André entende que não há nada de errado nesta opção, desde que seja tudo feito «dentro da legalidade», com «respeito pelos direitos de quem trabalha»...

Eu, precário ligado ao IEFP, instituição pública, não sei se vou receber este mês. Não sei se vou poder pagar casa este mês, não sei se vou poder pagar água e gás este mês, não sei se vou poder comer, com os meus meios, este mês.

Porque trabalho para um Estado "Moderno"...

sábado, 17 de abril de 2010

Acção Contra Call Center em simultâneo nos Mayday Lisboa, Porto e Coimbra



Bom dia, fala a Ana... Bom dia, fala o João... Bom dia, fala o Pedro... Bom dia, fala a Susana... António, Sara, Miguel, Zé, Victor, Marta...

Os Call-Centers estão aí para servir... ou melhor, estão aí para se servir. Para que os patrões das grandes empresas se possam servir das vidas e das pessoas que exploram sob a precariedade mais repressiva. Portugal Telecom, TMN, Vodafone, Optimus, Banco Totta, BPI, BPN, SAPO, Continente, Pingo Doce... mas também no Estado, na CGD, na DGCI, na Segurança Social... só para lembrarmos alguns dos mais conhecidos.

Os seus chefes ou patrões não servem ninguém senão a si próprios. Servem-se do roubo das vidas e das expectativas de uma geração para poder contar todos os segundos de chamadas telefónicas em euros, sempre mais euros. Os capatazes dentro dos Call-Center esperam um dia, quando crescidos, ser grandes, no meio de precários, afinal, eles também são precários... o isolamento e a competição entre pares tem destas coisas, volta pessoas umas contras outras.

Mas os mesmos servem-se sempre. Servem-se da impunidade com que gozam do esforço da maioria. Servem-se da influência e da corrupção que lhes dá ligações ao poder. Servem-se de quase todos, num jogo sempre viciado à partida.

Mas desta vez, demos a volta às regras. Usámos os meios que eles criaram na exploração para passar uma mensagem que vale por todos e por todas. Demos a volta à precariedade falando com quem tem de ser ouvido para lá da máquina, dos segundos, dos euros. Vamos dar a volta à precariedade porque queremos juntar num só grito todas as vozes presas nos telefones dos Call-Centers. No 1º de Maio juntamo-nos num grito de Mayday. Somos muitos mais!

terça-feira, 13 de abril de 2010

A Quarta Guerra Mundial - The Fourth World War (2003)



(EUA, 2003, 76min. - Direção: Rick Rowley)

Documentário quase poético sobre um dos temas mais importantes do planeta: A luta mundial contra a opressão do neoliberalismo.

A regra do empobrecimento de uma população é quase sempre a mesma: Emprestar dinheiro do FMI, cumprir seus ajustes estruturais, privatizar todos os setores que possam gerar lucros, seguir as regras liberais da OMC. Com isso sempre vem a miséria e daí o descontentamento. Para combater tanta gente descontente que sai às ruas, usa-se a polícia e o exército, para que o Estado que as corporações querem, não se transforme no Estado que as pessoas querem.

A Quarta Guerra Mundial hoje é travada em todos os cantos do mundo. De um lado os povos e do outro os governos dos países que se ajoelharam ante as exigências das grandes corporações.
Veja os depoimentos e lutas contra políticas neoliberais em alguns países pelo mundo: Argentina, Coreia, África do Sul, México, Itália, Canadá. Choque-se com a opressão brutal pura e simples que o Estado de Israel faz sobre a Palestina. ( Possui cenas que ferem as nossas sensibilidades, mas que não tornam este documentário menos real, menos parte da nossa História colectiva). AQUI

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Thich Nhat Han: 2º Treino da Plena Atenção


"Consciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, estou determinado a praticar generosidade no meu modo de pensar, de falar e de agir. A minha opção é não roubar e não possuir nada que porventura pertença a alguém - em vez disso, hei-de compartilhar o meu tempo, energia e recursos materiais com quem precise.

Consciente de que a busca da riqueza, fama, poder e prazeres sensoriais podem criar sofrimento; de que a felicidade depende do meu estado de espírito e não de condições externas; e de que para ser feliz aqui e agora a única coisa que preciso é lembrar-me de que já possuo todas as condições para tal, prometo viver de uma forma que contribua para a redução do sofrimento de todos os seres vivos na Terra."

Thich Nhat Han (2º Treinamento da Plena Atenção)

viversemdinheiro

sábado, 10 de abril de 2010

O Neoliberalismo segundo Frei Betto


O neoliberalismo é o novo carácter do velho capitalismo. Este adquiriu força hegemónica no mundo a partir da Revolução Industrial do século 19. O aprimoramento de máquinas capazes de reproduzir em grande escala o mesmo produto e a descoberta da electricidade possibilitaram à indústria produzir, não em função de necessidades humanas, mas sobretudo visando ao aumento do lucro das empresas.

O excedente da produção e a mercadoria supérflua obtiveram na publicidade a alavanca de que necessitavam para induzir o homem a consumir, a comprar mais do que precisa e a necessitar do que, a rigor, é supérfluo e até mesmo prejudicial à saúde, como alimentos ricos em açúcares e gordura saturada.

O capitalismo é uma religião laica fundada em dogmas que, historicamente, merecem pouca credibilidade. Um deles reza que a economia é regida pela "mão invisible" do mercado. Ora, em muitos períodos o sistema entrou em colapso, obrigando o governo a intervir na economia para regular o mercado.

O fortalecimento do movimento sindical e do socialismo real, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial (1940-1945), ameaçou o capitalismo liberal, que tratou de disciplinar o mercado através dos chamados Estados de Bem-Estar Social (previdência, leis trabalhistas, subsídios à saúde e educação etc.).

Esse carácter "social" do capitalismo durou até fins da década de 1970 e início da década seguinte, quando os EUA se deram conta de que era insustentável a conversibilidade do dólar em ouro. Durante a guerra do Vietnam, os EUA emitiram dólares em excesso e isso fez aumentar o preço do petróleo. Tornou-se imperioso para o sistema recuperar a rentabilidade do capital. Em função deste objectivo várias medidas foram adoptadas: golpes de Estado para estancar o avanço de conquistas sociais (caso do Brasil em 1964, quando foi derrubado o governo João Goulart), eleições de governantes conservadores (Reagan), cooptação dos social-democratas (Europa ocidental), fim dos Estado de Bem-Estar Social, utilização da dívida externa como forma de controle dos países periféricos pelos chamados organismos multilaterais (FMI, OMC etc.) e o processo de erosão do socialismo real no Leste europeu.

O socialismo ruiu naquela região por edificar um governo para o povo e não do povo e com o povo. À democracia económica (socialização dos bens e serviços, e distribuição de renda) não se adicionou a democracia política; não nos moldes do Ocidente capitalista, mas fundada na participação activa dos trabalhadores nos rumos da nação.

Nasceu, assim, o neoliberalismo, tendo como parteiro o Consenso de Washington ¬ a globalização do mercado "livre" e, segundo conveniências, do modelo norte-americano de democracia (jamais exigido aos países árabes fornecedores de petróleo e governados por oligarquias favoráveis aos interesses da Casa Branca).

O capitalismo transforma tudo em mercadoria, bens e serviços, incluindo a força de trabalho. O neoliberalismo o reforça, mercantilizando serviços essenciais, como os sistemas de saúde e educação, fornecimento de água e energia, sem poupar os bens simbólicos ¬ a cultura é reduzida a mero entretenimento; a arte passa a valer, não pelo valor estético da obra, mas pela fama do artista; a religião pulverizada em modismos; as singularidades étnicas encaradas como folclore; o controle da dieta alimentar; a manipulação de desejos inconfessáveis; as relações afectivas condicionadas pela glamourização das formas; a busca do elixir da eterna juventude e da imortalidade através de sofisticados recursos tecnocientíficos que prometem saúde perene e beleza exuberante.

Tudo isso restrito a um único espaço: o mercado, equivocadamente adjectivado de "livre". Nem o Estado escapa, reduzido a mero instrumento dos interesses dos sectores dominantes, como tão bem analisou Marx. Sim, certas concessões são feitas às classes média e popular, desde que não afectem as estruturas do sistema e nem reduzam a acumulação da riqueza em mãos de uma minoria. No caso brasileiro, hoje os 10% mais ricos da população ¬ cerca de 18 milhões de pessoas ¬ têm em mãos 44% da riqueza nacional. Na outra ponta, os 10% mais pobres sobrevivem dividindo entre si 1% da renda nacional.

Milhares de pessoas consideram o neoliberalismo como estágio avançado de civilização, assim como os contemporâneos de Aristóteles encaravam a escravidão um direito natural e os teólogos medievais consideravam a mulher um ser ontologicamente inferior ao homem. Se houve mudanças, não foi jamais por benevolência do poder.

Autor: Frei Betto.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

ANTÓNIO SÉRGIO (1883-1969)


Voltando ao tema, dos grandes pensadores, ensaístas, homens de ideias e de acções, hoje vou chamar a vossa atenção sobre António Sérgio de Sousa.
António Sérgio, nasceu em Damão (Índia Portuguesa) e foi influenciado pelo contacto com várias culturas. Seguiu a tradição familiar e estudou no Colégio Militar, completando o curso da Marinha de Guerra. Abandonou a Marinha com a implantação da República em 1910. Sérgio não considerava a questão república/monarquia importante. Importante seria o progresso económico e moral de Portugal. Socialismo, para ele não era de modo nenhum o socialismo marxista. Sérgio estaria situado numa linha política social-democrata, admirando a Inglaterra, um posicionamento semelhante ao que seria adoptado pelos países da Escandinávia. A sua acção foi marcadamente voltada para a problemática da Educação, chegando a ser, por dois meses, Ministro da Educação. Um dos grandes problemas de Portugal, era o analfabetismo.
O século XIX foi caracterizado por reformas que raramente passaram dos textos legislativos ou declarações de intenções.

O desenvolvimento do capitalismo português, na sua unidade fundamental e na diversidade das suas orientações, não determinou entre nós um alto desenvolvimento das forças produtivas. O sistema escolar português não ultrapassou, por isso mesmo, os limites dos estreitos interesses económicos e culturais da burguesia. Nunca se alcançou a democratização real da Educação e da Instrução.

O conceito de cultura de António Sérgio: Homem culto (...) significará um indivíduo de juízo crítico, afinado, objectivo, universalista, liberto das limitações de nacionalidade e de classe (...). (...) e somos filósofos na proporção exacta em que nos libertamos dos limites que nos inculcam a raça, a nacionalidade, o sítio, o instante, o culto, o temperamento, a classe, o sexo, a moda, a profissão.

Neste campo, a sua actividade foi imensa: fundou a revista Pela Grei; colaborou na revista Águia, com homens como Teixeira de Pascoaes ou Fernando Pessoa; escreveu também na revista Seara Nova, onde se encontraram personagens como Aquilino Ribeiro, Raul Brandão ou Azeredo Perdigão; foi director da "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"; escreveu uma imensa obra teórica em grande parte reunida nos Ensaios; lançou em Portugal a ideia do Cooperativismo, que se viria a revelar a sua obra mais duradoura, nomeadamente ao nível das cooperativas de habitação; fundou a Junta Propulsora dos Estudos; difundiu o método Montessori; criou o ensino para deficientes e o cinema educativo, tendo ainda tempo para fundar o Instituto Português do Cancro.
Foi professor, nomeadamente na Universidade de Santiago de Compostela. Pugnava por combater o ensino meramente baseado na memória e treinar as crianças no exercício da democracia, vendo a escola como «modelo» para a sociedade. Entendia o ensino como factor de ressurgimento nacional e criador de uma elite humanista, sendo a cultura vista como produto da Democracia, por oposição ao autoritarismo.

António Sérgio foi um opositor ao regime de Salazar. Sérgio queria algo original, um socialismo associativista, libertador ou mesmo libertário, a criar de dentro para fora, pacificamente, pela extensão gradual mas ilimitada do princípio cooperativo. Era um homem cultíssimo e de grande curiosidade mental, leitor permanente e crítico, conhecia bem as obras de Marx e não ignorava a vida e as acções deste, mas nunca foi marxista, nem revelou tendência para o ser.

A luta política de Sérgio contra o regime não parou e só esmorecia quando as circunstâncias eram por de mais impeditivas da expressão do pensamento. Tendo acabado por se convencer, após o seu regresso ao país em 1933 e até ao insucesso da candidatura Norton de Matos, de que o sistema nunca se liberalizaria a ponto de procurar quem o continuasse ou lhe sucedesse recorrendo a eleições honestas, o pensador voltou a ser conspirador activo e passou de novo a privilegiar uma solução de índole militar.
Esteve intensamente envolvido na preparação e na execução da candidatura presidencial de Humberto Delgado, mas convencido de que poderia redundar num golpe militar, em vez de umas tranquilas eleições democráticas.

Vemos hoje o que foi a vida de Sérgio pela seguinte síntese:
Sérgio foi preso em 1910, 1933, 1935, 1948 e 1958. E a propósito das últimas quatro vezes pensou (e depois escreveu) que foi na prisão que encontrou a verdadeira «união nacional» - de oposição à ditadura militar, primeiramente, e, depois, a Salazar, ao Estado Novo e ao fascismo."
O essencial da actividade política de Sérgio é sempre enquadrável com o seu aspecto teórico - a ligação à Democracia, à Liberdade, como via para a Educação e Cultura.

casoseacasosdavida

terça-feira, 30 de março de 2010

O perigo de uma história única


O perigo de uma história única e os mundos que os livros e os contactos com outras culturas nos podem abrir, por Chimamanda Adichie.
Vejam que vale a pena:


http://www.ted.com/---/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

sábado, 27 de março de 2010

Acerca da repercussão política de rabos e recibos verdes

Crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão




Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.

Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.

Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.

sábado, 20 de março de 2010

Á espera dos ordenados de Janeiro e Fevereiro


Assim estou.
Mas como devo 80 euros à (in)segurança social, a doutora da contabilidade lá do sítio(estado) ficou com muita raiva por ter de preencher mais papeis, logo só vou receber lá para Abril.
Os recibos, verdes, esses já eu os passei.

Onde estão as conquistas de Abril para mim?

sábado, 13 de março de 2010

Cidadania Criativa, por Richard Rogers


"Nunca estivemos tão electrónica e fisicamente ligados, contudo, nunca estivemos socialmente tão separados.

A liberdade individual reduziu a nossa interdependência e, como consequência, nosso senso de interesse comum. Para contrabalançar estas forças, precisamos incentivar e premiar a participação em tarefas que servem de base à sociedade.

Poderíamos aproveitar o potencial de tempo livre concedido pela nova era tecnológica, e aumentar o conceito de trabalho para incluir uma gama mais ampla de actividades culturais - trabalho em família, grupos de aconselhamento dos cidadãos, direitos civis, grupos de jovens, assistência médica, actividade para o ambiente, arte e educação em geral.

Este "trabalho" - uma forma de cidadania criativa - atingiria as necessidades sociais menosprezadas pelo sistema de mercado, e estimularia qualidades que humanizam e inspiram a vida.

A cidadania criativa traduz-se por participação em actividades comunitárias essencialmente criativas. Ela poderia animar e movimentar as comunidades, poderia preencher um vácuo em suas vidas, agora sem objectivos, poderia fornecer "status", satisfação e identidade, e ainda começar a lidar com as causas da alienação e desarmonia da sociedade.

Poderia ainda gerar as bases para uma força de trabalho mais criativa e motivada."

Richard Rogers in "Cidades para um pequeno planeta"

terça-feira, 2 de março de 2010

O Belo Verde


Este é um filme "fofinho", cómico e provocador, para contrariar os tempos actuais. Quase um "Avatar", mas menos pedante (ou não).

Imaginem uma mulher que vem de um éden longínquo, um outro planeta, onde se vive em harmonia com a natureza, sem hierarquias, polícias, dinheiro ou electrodomésticos, e aterra em paris para aprender os nossos costumes...

De morrer a rir... AQUI

segunda-feira, 1 de março de 2010

A tragédia de classes


Sempre que ocorre uma catástrofe, que nunca é natural nos seus efeitos, como aconteceu agora Madeira, surge com redobrada força o discurso da solidariedade nacional: estamos todos no mesmo barco. Este discurso deve ser levado a sério. Se for sério só pode conduzir à revolta, dada a distância abismal que o separa da realidade social de um país fracturado. É que nós não estamos, de facto, todos no mesmo barco: estamos num país muito desigual. A tragédia revela então as classes invisíveis, as que se escondem atrás da média nacional. Jornal de Notícias: “Tempestade que matou 42 pessoas e desalojou 600 na Madeira atingiu mais a gente pobre” e “construção precária nas margens das ribeiras que sulcam o Funchal rural contribuiu substantivamente para engrossar os óbitos provocados pelo temporal do dia 20”.

Sabemos que a única classe que existe para a confortável opinião convencional é uma parda média. Na realidade, estamos num país onde a pobreza infantil é das mais elevadas do mundo desenvolvido (estamos bem acompanhados pelos capitalismos anglo-saxónicos) e onde mais um estudo da OCDE, oportunamente mencionado pelo jornal i, revela que “a mobilidade entre classes” é das menores do mundo desenvolvido (os países do sul da Europa estão bem acompanhados pelos países anglo-saxónicos). Sabemos que a mobilidade social é mais elevada nos países de capitalismo mais igualitário do norte da Europa, onde existe um multiplicador da igualdade que foi enfraquecido, mas não destruído: desigualdades salariais baixas antes de impostos, o que pressupõe negociação colectiva centralizada e fora da empresa entre patrões e sindicatos e um Estado Social universal que redistribui depois de impostos.

A conversa sobre a “rigidez do mercado de trabalho”, que consta do tal estudo da OCDE, é apenas uma das peças do puzzle da fraude económica (hei-de voltar a isto). Note-se desde já que a flexibilidade laboral é, no contexto português, o nome de código liberal para maior facilidade em transferir custos para os trabalhadores sob a forma de horários de trabalho baralhados e mais longos, custos reduzidos no despedimento, salários mais baixos e mais desiguais. Assim soa pior, não soa?

[Publicado, em simultâneo, no Arrastão E NO LADRÕES DE BICICLETAS]

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A política é despedir e baixar nível de vida de todos os trabalhadores

Sobre o Orçamento do Estado

Manuel Raposo - Domingo, 21 Fevereiro, 2010 criancaspobres_72dpi.jpg

Nos dez anos decorridos desde 2000, os funcionários públicos apenas tiveram um ano (2009) em que beneficiaram de aumento real de salário; em todos os outros perderam poder de compra, com aumentos abaixo da inflação. Com o anúncio feito pelo governo – prontamente apoiado por PSD e CDS e aplaudido pelo patronato – de que não vai haver aumentos reais até 2013, os trabalhadores do Estado terão pela frente mais 4 anos de perda de nível de vida. Mas não só eles.

A propaganda transmitida pelos meios de comunicação dá crédito à ideia de que os funcionários públicos são privilegiados e, a partir daí, força a conclusão de que o nivelamento deve ser feito por baixo. É este o único critério de igualdade que o capitalismo aplica: nivelar, sempre que pode, todos os assalariados pela bitola mínima...

Jornal " Mudar de Vida". Ver mais...

RTP cala membros dos Precários Inflexiveis 2008


Mais uma vez se prova que as televisões e jornais estão ao serviço de quem nos explora e nos lixa.

A RTP faz o programa "Prós e Contra", mas os seus intervenientes são pessoas que já passaram pelo o poder, e só lá vão fazer propaganda das virtualidades do capital, e falar de economicismo que é sempre para o lado dos mais fracos.

Pessoas que tenham ideias diferentes desses senhores são pura e simplesmente silenciados e ocultados, como foi o caso do João Pacheco.

A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos dos que dela se aproveitam

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História das Coisas


Para onde vão os nossos electrodomésticos velhos, as nossas televisões irremediavelmente estragadas, os nossos i-pods indrominados, e todas aquelas coisas "made in China" que nos duram três semanas?

Haverá espaço para todo o nosso lixo neste cada vez mais pequeno planeta?

Talvez a respostas estejam neste pequeno documentário. Legendado em português.

Experimentem.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Madeira: Poderia ter sido diferente. Para melhor.



Nunca é demais apurar toda a realidade dos factos.
Veja e pense por si.

Novamente, o Afeganistão

Em semana de tantos acontecimentos, a tragédia na Madeira, o diz que disse da coscuvilhice da jornalada, a transferência para dos Etarras para Espanha, e o fantasma ETA sobre as consciências portuguesas, já tão concorridas por tão variados dramas, mais e menos reais, lamento ter que passar uma notícia mais que nada de bom trará, excepto uma maior consciência global sobre uma guerra em particular.

"Pensaram que os três mini autocarros tinham rebeldes e bombardearam-nos", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior afegão, Zamari Bashary. O porta-voz tinha indicado pelo menos 21 mortes, a que se somaram ainda 11 feridos. Um novo número do Governo mencionou depois "pelos menos 33 mortes, entre elas quatro mulheres e uma criança, segundo a AFP.

O comando da missão da NATO no país (ISAF) reconheceu, em comunicado emitido esta manhã, a morte de civis nesta acção, que ocorreu na manhã de domingo na província de Uruzgan, sem dar conta porém de um número preciso.

As forças internacionais avançaram que o ataque aéreo visou uma caravana “suspeita” de três veículos que se aproximavam de uma unidade militar conjunta de tropas da NATO e afegãs, tendo os militares no terreno descoberto posteriormente “várias pessoas mortas e feridas”, incluindo mulheres e crianças.

A NATO temera a aproximação de combatentes taliban, dando então ordem do ataque aéreo sobre o local, numa região que se encontra sob controlo da rebelião. Mas o governador de Uruzgan, Sultan Ali, sustenta que todas as vítimas mortais – que contabilizou como tendo sido 27, mais dez feridos – eram todas civis.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bookcrossing








O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.

O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca.
Em Portugal, a comunidade Bookcrosser conta já com mais de 8 000 membros, sendo uma das maiores comunidades da Europa e a décima em termos mundiais.

Activos nos fóruns, listas de discussão, troca de livros, mensagens privadas, encontros e actividades várias, os bookcrossers portugueses têm à sua disposição uma variedade de formas de participar nesta comunidade.

De momento não existe ainda um interface português para o site, pelo que, por agora, os utilizadores têm de trabalhar no site em inglês.

Em Vila Real, no famoso Edifício Mantas, existe um pequeno paraíso chamado Conta Coisas, onde pagamos contas de electricidade, compramos a "National Geografic" e a FHM, tabaco de enrolar, sabões de cânhamo, chá de Rooíbos, tinteiros de impressora, vários productos do "Comércio Justo",Red Bull, Super Bock, cerveja de cânhamo, tripas doces, e levamos livros para casa, gratuitamente, livros que viajaram já por muitas outras mãos, e por muitas outras mãos irão viajar, depois de saírem das nossas, numa Utopia da Leitura que lembra outros ideais de Liberdade e Educação, já tão esquecidos neste mundo de Gripes Suínas e precariedade laboral, especulação financeira e políticas vazias.


Imagine agora um mundo, onde encontra um livro num banco de jardim, um novo mundo sob a sombra de uma árvore de Tília, um vento fresco contrariando o aquecimento global, uma luz, que após 3 semanas, larga numa agradável esplanada à beira-mar, onde uma rapariga, que escapou agora mesmo de um inferno de escritórios para umas férias de 3 dias na praia, o encontra, mergulhando em novo universo de histórias e emoções, numa aventura de letras, sentindo-se renascer das cinzas, erguendo-se agora com nova força para enfrentar a vida, largando este tesouro num banco, à beira de um rio, onde tantas pessoas fazem jogging logo pela manhã, sendo encontrado por um ancião que ali passeava, e por aí fora, eternamente semeando cor e alegria pelas mãos onde passa.

Que livro poderia ser mais feliz que este...

Já agora, próximo sábado ou domingo, no telejornal da tarde, RTP1, haverá uma pequena peça sobre o
Bookcrossing no Conta Coisas. Não percam...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Gregory Colbert, Criador de Ashes and Snow


“Ao explorar a linguagem e a sensibilidade poética comum a todos os animais, meu trabalho tenta redescobrir um universo outrora compartilhado com harmonia pelos seres humanos e os animais. As imagens reflectem um mundo que não tem começo nem fim, que não se situa aqui nem ali, que não está no passado nem no presente.”
—Gregory Colbert, Criador de Ashes and Snow

Ashes and Snow, de Gregory Colbert, é um projecto em andamento que entrelaça diversos trabalhos fotográficos, filmes 35 mm, instalações artísticas e um romance epistolar. Com profunda paciência e um inabalável compromisso com a natureza expressiva e artística dos animais, Colbert capturou momentos de extraordinário contacto entre seres humanos e animais.

Sua iconografia animalista do século XXI inclui espécies totémicas de várias regiões do mundo. Desde que iniciou a criação de sua singular obra Ashes and Snow, em 1992, o artista realizou expedições para regiões como Índia, Egipto, Burma, Tonga, Sri Lanka, Namíbia, Quénia, Antárctida, Açores e Bornéu, colectando imagens que ele perpetuou em fotografias e filmes.

O título Ashes and Snow faz referência ao componente literário da exposição — o relato fictício de um homem que, ao longo de uma viagem de um ano, escreve 365 cartas à esposa. A origem do título é revelada na 365a carta. As fotografias e o longa metragem de uma hora, realizados por Colbert, constituem livres interpretações dos encontros e experiências descritos pelo narrador em suas cartas.

Obra de incomparável valor. A visitar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Duelo Sócrates Vs Jornais



A acreditar em tudo o que se escreve, vivemos com um governo corrupto, numa sociedade corrupta, onde até a hipótese de censura existe.

Ainda que a corrupção seja um problema real em Portugal, para mim, toda a perseguição ao governo pelos jornais não passa de um gigantesco Circo, criado para manipular o poder/opinião pública, e, é claro, para vender muitos jornais.

Será que já esquecemos como, há sete ou oito anos, o eng. Sócrates era o menino querido dos média, o
novo Dom Sebastião, que surgiu miraculosamente na neblina da televisão portuguesa?

Como passou agora a Salazar?

Existe um quarto poder com claras pretensões a primeiro poder, e existem já
novos sebastiãos prontos a tomar o lugar da cadeira que caiu, não de velha, mas esburacada pelas balas de papel da imprensa portuguesa.

E existe uma clara falta de respeito pelo povo português, que sofre de desemprego, emprego precário a recibos verdes, falta de oportunidades para os jovens, falta de verdadeiros apoios aos idosos, entre tantas outras coisas para apontar ao governo.

E tentativas de censura não são censura. Tudo se pode escrever, como podemos observar todos os dias, principalmente o inútil. Falar em censura é uma falta de respeito para com aqueles que, de facto, a sofreram, com cadeia, tortura, exílio ou morte.

O que se passa é a antiga briga de comadres, onde as (in)verdades que se descobrem só interessam a uma classe profissional egocêntrica demais para ver a merda que está a fazer.

O povo segue demasiado sereno, pois imerso em problemas que vocês já consideram banais, comparado aos possíveis crimes das altas figuras que vocês mesmos criaram, e desejam agora destronar, simplesmente porque podem.

Vocês, que são parte essencial da Democracia, envergonham-nos muito a nós, o Povo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Falácia do Mercado do Carbono


Não há surpresas no actual capitalismo.
Logo, assim que (os líderes do mundo)anunciam uma solução para o aquecimento global, é de desconfiar.

Primeiro tudo fizeram para obterem o máximo lucro, agora preocupam-se com o Ambiente?

Esta curta metragem pode ajudar a compreender a falácia por detrás do mercado de carbono. Está em inglês, mas uma versão legendada pode já estar disponível no You Tube.

A informação é a nossa melhor defesa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Possível solução para o caso Sócrates/TVI/MMGuedes


Ora bem.
Em minha humilde opinião, todo o caso é apenas polémico porque sujeito a um paradigma inevitável:

- Existem apenas 4 canais de sinal aberto e disponível aos mais pobres dos cidadão portugueses, bem como à restante minoria (os outro 20 por cento da população de situação financeira despreocupada).

Tais canais ganham assim uma gigantesca importância para o sistema politico-económico, pois formam a chamada "opinião pública. Dois pertencem ao estado (chamem-lhe burros), outros dois são privados.

A luta pelo controlo destes 2 últimos será sempre dura e selvagem, com o olhar no domínio das massas.

Pois se autorizarem, de repente, mais 10 canais (ou 100, porque não), toda a questão desaparece, tornando-se ridícula qualquer tentativa de dominação de um único canal (por parte do estado, ou conglomerado/multinacional de empresas do ramos dos médias e outras, hipótese esta bem mais realista que o controlo do estado, aparelho ultrapassado pelas multinacionais, já há muito tempo).

Problema resolvido.

Auto-Determinação para a Madeira Já


É altura de reconhecer aquilo que o iluminado governo da Madeira deseja há já tanto, ser uma república independente das limitações ideológicas do continente.
E dos seus orçamentos. Independência já...

Manteremos alguns protocolos, considerando os jovens da Madeira como os novos PALOPs.
E mais nada.

Menos uma dor de cabeça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sobre Jardim e seu Governo eu digo "FUCK THEM"!


Mas estará tudo doido.
Como é que partidos de esquerda foram defender o "offshore" da Madeira?
Que apocalipse aconteceu para eu vir aqui escrever um texto a defender o PS de Sócrates?

Como podemos nós dar, no actual contexto, benefícios a uma região que, exceptuando Lisboa, é a mais rica de Portugal?

Como se pode pôr os Açores, uma das nossas regiões mais pobres e necessitadas, e no entanto, das mais cumpridores a nível orçamental, no mesmo saco que a Madeira?

Se é para acabar com o "offshore", e instalar a igualdade de direitos e contribuições, então vamos em frente camaradas!

Agora, esta lei é um ABSURDO de todo o tamanho! Que credibilidade deseja agora ter a oposição de esquerda perante o seu eleitorado?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal"

A mudança de paradigmas no local de trabalho, sempre em benefício dos patrões, têm originados novos fenómenos, como o suicídio no trabalho, e o reconhecimento de velhos fenómenos como o Assédio moral, ou mesmo sexual.

O cenário de crise só aprofundou mais estes problemas. Os sindicatos têem se revelado incapazes de satisfazer estas novas demandas, cristalizados que estão nos seus próprios interesses, e nas suas associações com partidos.

Sobre estes temas versa a entrevista de Ana Gerschenfeld, a Christophe de Dejours, no Público.