terça-feira, 30 de março de 2010

O perigo de uma história única


O perigo de uma história única e os mundos que os livros e os contactos com outras culturas nos podem abrir, por Chimamanda Adichie.
Vejam que vale a pena:


http://www.ted.com/---/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

sábado, 27 de março de 2010

Acerca da repercussão política de rabos e recibos verdes

Crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão




Esta pode ser a geração dos 500 euros porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca.

Um dia, num protesto contra a política educativa do Governo, um cidadão da minha idade resolveu avançar com um argumento de autoridade e mostrou o rabo à ministra. Não é, de todo, o pior e mais deselegante argumento que já vi esgrimir (se se pode dizer de um rabo que foi esgrimido) no âmbito de um debate político, mas ainda assim o gesto fez com que aquilo a que se chama "a minha geração" passasse a ser conhecida por "geração rasca". Nunca me queixei. Pelo menos no que me dizia respeito, o título pareceu-me adequado à minha personalidade, e não gosto de censurar ninguém por ser perspicaz. Hoje, a geração que entra no mercado de trabalho é conhecida por "geração dos 500 euros". O que definia a minha geração era o seu carácter; o que define esta é o seu salário. Na verdade, há uma hipótese inquietante: é possível que quem paga a esta geração seja a minha. Esta pode ser a geração dos 500 euros, porque quem lhe estabelece o ordenado é a geração rasca. Tudo aponta para isso: somos mais velhos do que eles, e portanto é lógico que tenhamos cargos de chefia quando eles saem da escola. E é próprio de um patrão rasca generalizar o pagamento de salários de 500 euros. Sobretudo, é improvável que a "geração rasca" e a "geração dos 500 euros" coincidam: quem é rasca, em princípio arranja sempre maneira de ganhar mais de 500 euros.

Como costuma dizer normalmente quem tem muito dinheiro, o dinheiro não é importante. Sempre me comoveu que as pessoas ricas tivessem a gentileza de partilhar connosco (logo elas, que são tantas vezes avessas a partilhar) uma ideia formada com conhecimento de causa: o dinheiro não traz felicidade. Essa é, no entanto, uma das características que eu mais aprecio no dinheiro: a felicidade é tão fugaz, tão frágil e, às vezes, tão imoral, que acaba por ser higiénico e nobre que o dinheiro não a traga. Para falar com franqueza, não conheço nada que traga felicidade. Mas - chamem-me sentimental - acho que o dinheiro não traz felicidade de uma maneira especial. Vendo bem, a minha geração teve bastante mais sorte do que esta: uma pessoa pode mudar o seu carácter, mas na esmagadora maioria das vezes não pode mudar o seu salário. É bem mais fácil deixar de mostrar o rabo do que passar a ganhar mais de 500 euros.

sábado, 20 de março de 2010

Á espera dos ordenados de Janeiro e Fevereiro


Assim estou.
Mas como devo 80 euros à (in)segurança social, a doutora da contabilidade lá do sítio(estado) ficou com muita raiva por ter de preencher mais papeis, logo só vou receber lá para Abril.
Os recibos, verdes, esses já eu os passei.

Onde estão as conquistas de Abril para mim?

sábado, 13 de março de 2010

Cidadania Criativa, por Richard Rogers


"Nunca estivemos tão electrónica e fisicamente ligados, contudo, nunca estivemos socialmente tão separados.

A liberdade individual reduziu a nossa interdependência e, como consequência, nosso senso de interesse comum. Para contrabalançar estas forças, precisamos incentivar e premiar a participação em tarefas que servem de base à sociedade.

Poderíamos aproveitar o potencial de tempo livre concedido pela nova era tecnológica, e aumentar o conceito de trabalho para incluir uma gama mais ampla de actividades culturais - trabalho em família, grupos de aconselhamento dos cidadãos, direitos civis, grupos de jovens, assistência médica, actividade para o ambiente, arte e educação em geral.

Este "trabalho" - uma forma de cidadania criativa - atingiria as necessidades sociais menosprezadas pelo sistema de mercado, e estimularia qualidades que humanizam e inspiram a vida.

A cidadania criativa traduz-se por participação em actividades comunitárias essencialmente criativas. Ela poderia animar e movimentar as comunidades, poderia preencher um vácuo em suas vidas, agora sem objectivos, poderia fornecer "status", satisfação e identidade, e ainda começar a lidar com as causas da alienação e desarmonia da sociedade.

Poderia ainda gerar as bases para uma força de trabalho mais criativa e motivada."

Richard Rogers in "Cidades para um pequeno planeta"

terça-feira, 2 de março de 2010

O Belo Verde


Este é um filme "fofinho", cómico e provocador, para contrariar os tempos actuais. Quase um "Avatar", mas menos pedante (ou não).

Imaginem uma mulher que vem de um éden longínquo, um outro planeta, onde se vive em harmonia com a natureza, sem hierarquias, polícias, dinheiro ou electrodomésticos, e aterra em paris para aprender os nossos costumes...

De morrer a rir... AQUI

segunda-feira, 1 de março de 2010

A tragédia de classes


Sempre que ocorre uma catástrofe, que nunca é natural nos seus efeitos, como aconteceu agora Madeira, surge com redobrada força o discurso da solidariedade nacional: estamos todos no mesmo barco. Este discurso deve ser levado a sério. Se for sério só pode conduzir à revolta, dada a distância abismal que o separa da realidade social de um país fracturado. É que nós não estamos, de facto, todos no mesmo barco: estamos num país muito desigual. A tragédia revela então as classes invisíveis, as que se escondem atrás da média nacional. Jornal de Notícias: “Tempestade que matou 42 pessoas e desalojou 600 na Madeira atingiu mais a gente pobre” e “construção precária nas margens das ribeiras que sulcam o Funchal rural contribuiu substantivamente para engrossar os óbitos provocados pelo temporal do dia 20”.

Sabemos que a única classe que existe para a confortável opinião convencional é uma parda média. Na realidade, estamos num país onde a pobreza infantil é das mais elevadas do mundo desenvolvido (estamos bem acompanhados pelos capitalismos anglo-saxónicos) e onde mais um estudo da OCDE, oportunamente mencionado pelo jornal i, revela que “a mobilidade entre classes” é das menores do mundo desenvolvido (os países do sul da Europa estão bem acompanhados pelos países anglo-saxónicos). Sabemos que a mobilidade social é mais elevada nos países de capitalismo mais igualitário do norte da Europa, onde existe um multiplicador da igualdade que foi enfraquecido, mas não destruído: desigualdades salariais baixas antes de impostos, o que pressupõe negociação colectiva centralizada e fora da empresa entre patrões e sindicatos e um Estado Social universal que redistribui depois de impostos.

A conversa sobre a “rigidez do mercado de trabalho”, que consta do tal estudo da OCDE, é apenas uma das peças do puzzle da fraude económica (hei-de voltar a isto). Note-se desde já que a flexibilidade laboral é, no contexto português, o nome de código liberal para maior facilidade em transferir custos para os trabalhadores sob a forma de horários de trabalho baralhados e mais longos, custos reduzidos no despedimento, salários mais baixos e mais desiguais. Assim soa pior, não soa?

[Publicado, em simultâneo, no Arrastão E NO LADRÕES DE BICICLETAS]

sábado, 27 de fevereiro de 2010

A política é despedir e baixar nível de vida de todos os trabalhadores

Sobre o Orçamento do Estado

Manuel Raposo - Domingo, 21 Fevereiro, 2010 criancaspobres_72dpi.jpg

Nos dez anos decorridos desde 2000, os funcionários públicos apenas tiveram um ano (2009) em que beneficiaram de aumento real de salário; em todos os outros perderam poder de compra, com aumentos abaixo da inflação. Com o anúncio feito pelo governo – prontamente apoiado por PSD e CDS e aplaudido pelo patronato – de que não vai haver aumentos reais até 2013, os trabalhadores do Estado terão pela frente mais 4 anos de perda de nível de vida. Mas não só eles.

A propaganda transmitida pelos meios de comunicação dá crédito à ideia de que os funcionários públicos são privilegiados e, a partir daí, força a conclusão de que o nivelamento deve ser feito por baixo. É este o único critério de igualdade que o capitalismo aplica: nivelar, sempre que pode, todos os assalariados pela bitola mínima...

Jornal " Mudar de Vida". Ver mais...

RTP cala membros dos Precários Inflexiveis 2008


Mais uma vez se prova que as televisões e jornais estão ao serviço de quem nos explora e nos lixa.

A RTP faz o programa "Prós e Contra", mas os seus intervenientes são pessoas que já passaram pelo o poder, e só lá vão fazer propaganda das virtualidades do capital, e falar de economicismo que é sempre para o lado dos mais fracos.

Pessoas que tenham ideias diferentes desses senhores são pura e simplesmente silenciados e ocultados, como foi o caso do João Pacheco.

A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos dos que dela se aproveitam

Ver mais

História das Coisas


Para onde vão os nossos electrodomésticos velhos, as nossas televisões irremediavelmente estragadas, os nossos i-pods indrominados, e todas aquelas coisas "made in China" que nos duram três semanas?

Haverá espaço para todo o nosso lixo neste cada vez mais pequeno planeta?

Talvez a respostas estejam neste pequeno documentário. Legendado em português.

Experimentem.


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Madeira: Poderia ter sido diferente. Para melhor.



Nunca é demais apurar toda a realidade dos factos.
Veja e pense por si.

Novamente, o Afeganistão

Em semana de tantos acontecimentos, a tragédia na Madeira, o diz que disse da coscuvilhice da jornalada, a transferência para dos Etarras para Espanha, e o fantasma ETA sobre as consciências portuguesas, já tão concorridas por tão variados dramas, mais e menos reais, lamento ter que passar uma notícia mais que nada de bom trará, excepto uma maior consciência global sobre uma guerra em particular.

"Pensaram que os três mini autocarros tinham rebeldes e bombardearam-nos", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior afegão, Zamari Bashary. O porta-voz tinha indicado pelo menos 21 mortes, a que se somaram ainda 11 feridos. Um novo número do Governo mencionou depois "pelos menos 33 mortes, entre elas quatro mulheres e uma criança, segundo a AFP.

O comando da missão da NATO no país (ISAF) reconheceu, em comunicado emitido esta manhã, a morte de civis nesta acção, que ocorreu na manhã de domingo na província de Uruzgan, sem dar conta porém de um número preciso.

As forças internacionais avançaram que o ataque aéreo visou uma caravana “suspeita” de três veículos que se aproximavam de uma unidade militar conjunta de tropas da NATO e afegãs, tendo os militares no terreno descoberto posteriormente “várias pessoas mortas e feridas”, incluindo mulheres e crianças.

A NATO temera a aproximação de combatentes taliban, dando então ordem do ataque aéreo sobre o local, numa região que se encontra sob controlo da rebelião. Mas o governador de Uruzgan, Sultan Ali, sustenta que todas as vítimas mortais – que contabilizou como tendo sido 27, mais dez feridos – eram todas civis.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bookcrossing








O Bookcrossing é um clube de livros global, que atravessa o tempo e o espaço. É um grupo de leitura que não conhece limites geográficos. Os seus membros gostam tanto de livros que não se importam de se separar deles, libertando-os, para que possam ser encontrados por outros.

O objectivo do Bookcrossing é transformar o mundo inteiro numa biblioteca.
Em Portugal, a comunidade Bookcrosser conta já com mais de 8 000 membros, sendo uma das maiores comunidades da Europa e a décima em termos mundiais.

Activos nos fóruns, listas de discussão, troca de livros, mensagens privadas, encontros e actividades várias, os bookcrossers portugueses têm à sua disposição uma variedade de formas de participar nesta comunidade.

De momento não existe ainda um interface português para o site, pelo que, por agora, os utilizadores têm de trabalhar no site em inglês.

Em Vila Real, no famoso Edifício Mantas, existe um pequeno paraíso chamado Conta Coisas, onde pagamos contas de electricidade, compramos a "National Geografic" e a FHM, tabaco de enrolar, sabões de cânhamo, chá de Rooíbos, tinteiros de impressora, vários productos do "Comércio Justo",Red Bull, Super Bock, cerveja de cânhamo, tripas doces, e levamos livros para casa, gratuitamente, livros que viajaram já por muitas outras mãos, e por muitas outras mãos irão viajar, depois de saírem das nossas, numa Utopia da Leitura que lembra outros ideais de Liberdade e Educação, já tão esquecidos neste mundo de Gripes Suínas e precariedade laboral, especulação financeira e políticas vazias.


Imagine agora um mundo, onde encontra um livro num banco de jardim, um novo mundo sob a sombra de uma árvore de Tília, um vento fresco contrariando o aquecimento global, uma luz, que após 3 semanas, larga numa agradável esplanada à beira-mar, onde uma rapariga, que escapou agora mesmo de um inferno de escritórios para umas férias de 3 dias na praia, o encontra, mergulhando em novo universo de histórias e emoções, numa aventura de letras, sentindo-se renascer das cinzas, erguendo-se agora com nova força para enfrentar a vida, largando este tesouro num banco, à beira de um rio, onde tantas pessoas fazem jogging logo pela manhã, sendo encontrado por um ancião que ali passeava, e por aí fora, eternamente semeando cor e alegria pelas mãos onde passa.

Que livro poderia ser mais feliz que este...

Já agora, próximo sábado ou domingo, no telejornal da tarde, RTP1, haverá uma pequena peça sobre o
Bookcrossing no Conta Coisas. Não percam...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Gregory Colbert, Criador de Ashes and Snow


“Ao explorar a linguagem e a sensibilidade poética comum a todos os animais, meu trabalho tenta redescobrir um universo outrora compartilhado com harmonia pelos seres humanos e os animais. As imagens reflectem um mundo que não tem começo nem fim, que não se situa aqui nem ali, que não está no passado nem no presente.”
—Gregory Colbert, Criador de Ashes and Snow

Ashes and Snow, de Gregory Colbert, é um projecto em andamento que entrelaça diversos trabalhos fotográficos, filmes 35 mm, instalações artísticas e um romance epistolar. Com profunda paciência e um inabalável compromisso com a natureza expressiva e artística dos animais, Colbert capturou momentos de extraordinário contacto entre seres humanos e animais.

Sua iconografia animalista do século XXI inclui espécies totémicas de várias regiões do mundo. Desde que iniciou a criação de sua singular obra Ashes and Snow, em 1992, o artista realizou expedições para regiões como Índia, Egipto, Burma, Tonga, Sri Lanka, Namíbia, Quénia, Antárctida, Açores e Bornéu, colectando imagens que ele perpetuou em fotografias e filmes.

O título Ashes and Snow faz referência ao componente literário da exposição — o relato fictício de um homem que, ao longo de uma viagem de um ano, escreve 365 cartas à esposa. A origem do título é revelada na 365a carta. As fotografias e o longa metragem de uma hora, realizados por Colbert, constituem livres interpretações dos encontros e experiências descritos pelo narrador em suas cartas.

Obra de incomparável valor. A visitar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O Duelo Sócrates Vs Jornais



A acreditar em tudo o que se escreve, vivemos com um governo corrupto, numa sociedade corrupta, onde até a hipótese de censura existe.

Ainda que a corrupção seja um problema real em Portugal, para mim, toda a perseguição ao governo pelos jornais não passa de um gigantesco Circo, criado para manipular o poder/opinião pública, e, é claro, para vender muitos jornais.

Será que já esquecemos como, há sete ou oito anos, o eng. Sócrates era o menino querido dos média, o
novo Dom Sebastião, que surgiu miraculosamente na neblina da televisão portuguesa?

Como passou agora a Salazar?

Existe um quarto poder com claras pretensões a primeiro poder, e existem já
novos sebastiãos prontos a tomar o lugar da cadeira que caiu, não de velha, mas esburacada pelas balas de papel da imprensa portuguesa.

E existe uma clara falta de respeito pelo povo português, que sofre de desemprego, emprego precário a recibos verdes, falta de oportunidades para os jovens, falta de verdadeiros apoios aos idosos, entre tantas outras coisas para apontar ao governo.

E tentativas de censura não são censura. Tudo se pode escrever, como podemos observar todos os dias, principalmente o inútil. Falar em censura é uma falta de respeito para com aqueles que, de facto, a sofreram, com cadeia, tortura, exílio ou morte.

O que se passa é a antiga briga de comadres, onde as (in)verdades que se descobrem só interessam a uma classe profissional egocêntrica demais para ver a merda que está a fazer.

O povo segue demasiado sereno, pois imerso em problemas que vocês já consideram banais, comparado aos possíveis crimes das altas figuras que vocês mesmos criaram, e desejam agora destronar, simplesmente porque podem.

Vocês, que são parte essencial da Democracia, envergonham-nos muito a nós, o Povo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Falácia do Mercado do Carbono


Não há surpresas no actual capitalismo.
Logo, assim que (os líderes do mundo)anunciam uma solução para o aquecimento global, é de desconfiar.

Primeiro tudo fizeram para obterem o máximo lucro, agora preocupam-se com o Ambiente?

Esta curta metragem pode ajudar a compreender a falácia por detrás do mercado de carbono. Está em inglês, mas uma versão legendada pode já estar disponível no You Tube.

A informação é a nossa melhor defesa.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Possível solução para o caso Sócrates/TVI/MMGuedes


Ora bem.
Em minha humilde opinião, todo o caso é apenas polémico porque sujeito a um paradigma inevitável:

- Existem apenas 4 canais de sinal aberto e disponível aos mais pobres dos cidadão portugueses, bem como à restante minoria (os outro 20 por cento da população de situação financeira despreocupada).

Tais canais ganham assim uma gigantesca importância para o sistema politico-económico, pois formam a chamada "opinião pública. Dois pertencem ao estado (chamem-lhe burros), outros dois são privados.

A luta pelo controlo destes 2 últimos será sempre dura e selvagem, com o olhar no domínio das massas.

Pois se autorizarem, de repente, mais 10 canais (ou 100, porque não), toda a questão desaparece, tornando-se ridícula qualquer tentativa de dominação de um único canal (por parte do estado, ou conglomerado/multinacional de empresas do ramos dos médias e outras, hipótese esta bem mais realista que o controlo do estado, aparelho ultrapassado pelas multinacionais, já há muito tempo).

Problema resolvido.

Auto-Determinação para a Madeira Já


É altura de reconhecer aquilo que o iluminado governo da Madeira deseja há já tanto, ser uma república independente das limitações ideológicas do continente.
E dos seus orçamentos. Independência já...

Manteremos alguns protocolos, considerando os jovens da Madeira como os novos PALOPs.
E mais nada.

Menos uma dor de cabeça.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sobre Jardim e seu Governo eu digo "FUCK THEM"!


Mas estará tudo doido.
Como é que partidos de esquerda foram defender o "offshore" da Madeira?
Que apocalipse aconteceu para eu vir aqui escrever um texto a defender o PS de Sócrates?

Como podemos nós dar, no actual contexto, benefícios a uma região que, exceptuando Lisboa, é a mais rica de Portugal?

Como se pode pôr os Açores, uma das nossas regiões mais pobres e necessitadas, e no entanto, das mais cumpridores a nível orçamental, no mesmo saco que a Madeira?

Se é para acabar com o "offshore", e instalar a igualdade de direitos e contribuições, então vamos em frente camaradas!

Agora, esta lei é um ABSURDO de todo o tamanho! Que credibilidade deseja agora ter a oposição de esquerda perante o seu eleitorado?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

"Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal"

A mudança de paradigmas no local de trabalho, sempre em benefício dos patrões, têm originados novos fenómenos, como o suicídio no trabalho, e o reconhecimento de velhos fenómenos como o Assédio moral, ou mesmo sexual.

O cenário de crise só aprofundou mais estes problemas. Os sindicatos têem se revelado incapazes de satisfazer estas novas demandas, cristalizados que estão nos seus próprios interesses, e nas suas associações com partidos.

Sobre estes temas versa a entrevista de Ana Gerschenfeld, a Christophe de Dejours, no Público.

Movimento emigratório actual comparado ao da década de 60

O presidente da comissão de especialidade de fluxos migratórios, Manuel Beja, julga que é preciso recuar até década de 1960 para encontrar uma vaga de emigração tão grande em Portugal.
por Ana Cristina Pereira

E a pergunta que fica é: que esperam os restantes portugueses?
Fala-se de uma cultura de Emigração,mas qual é o português que deixa, de ânimo leve, a terra onde cresceu, onde têm familia e amigos?

É muito grave a situação do país, mas quase ninguém sai à rua para gritar contra este "estado de coisas a que chegámos".
Logo, ficará muito pior antes de melhorar.

Quantos mais irão sair, vergados pela fome disfarçada, pelas dividas e pela vergonha do desemprego?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gripe A - a Trama


Presidente da comissão de saúde da assembleia parlamentar do conselho da Europa questiona os procedimentos levados a cabo pela OMS, referindo pressões das grandes farmacêuticas para desenvolver (e vender) a vacina contra a gripe.

Os governos foram enganados, e os cidadães que recusaram ser vacinados demonstraram maior inteligência que os seus governos.

Depois das armas de destruição massiça do Iraque, entre outras grandes tangas do novíssimo século XXI, como fomos cair novamente. e quantas vezes mais seremos "comidos"?

A Europa gastou cerca de 5 mil milhões de euros. Ah, época de fartura...



publico.pt - Gripe A
recomendo igualmente a visualização da Operação Pandemia, no blog bomba LaResistance, aqui ao lado...

sábado, 23 de janeiro de 2010

TAZ - Zona Autónoma Temporária, de Hakim Bey


“Uma postura realista exige não apenas que desistamos de esperar pela “Revolução”, mas também que desistamos de desejá-la. “Levantes”, sim – sempre que possível, até mesmo com o risco de violência. Os espasmos do Estado Simulado serão “espectaculares”, mas na maioria dos casos a táctica mais radical será a recusa de participar da violência espetacular, retirar-se da área de simulação,desaparecer.

A TAZ é um acampamento de guerrilheiros ontologistas: ataque e fuja. Continue movendo sua tribo inteira, mesmo que ela seja apenas dados na web. A TAZ deve ser capaz de se defender; mas, se possível, tanto o “ataque” quanto a “defesa” devem evadir-se à violência do Estado, que já não é uma violência com sentido. O ataque é feito às estruturas de controle, essencialmente às idéias. As táticas de defesa são a “invisibilidade”, que é uma arte marcial, e a “invulnerabilidade”, uma arte “oculta” dentro das artes marciais. A “máquina de guerra nómada” conquista sem ser notada e se move antes do mapa ser rectificado. Quanto ao futuro, apenas o autônomo pode planejar a autonomia, organizar-se para ela, criá-la. É uma acção conduzida por esforço próprio. O primeiro passo se assemelha a um satori – a constatação de que a TAZ começa com um simples acto de percepção.”

Mikhail Bakunin e a Autoridade



«Distribuiremos os meios de produção
Entre os produtores
Associações urbanas de trabalhadores
Com a ciência ao nosso lado
Desaparecerão as hierarquias,
A mão paternal do velho Estado.
Caminharemos ombro a ombro
A devorar estrelas
A consumir a copa do conhecimento
Juntos, iguais, avançando.
Camarada Bakunin»
(Trecho da canção Camarada Bakunin da banda Aviador Dro)


"Decorre daí que rejeito toda autoridade? Longe de mim este pensamento. Quando se trata de botas, apelo para a autoridade dos sapateiros; se se trata de uma casa, de um canal ou de uma ferrovia, consulto a do arquiteto ou a do engenheiro. Por tal ciência especial, dirijo-me a este ou àquele cientista. Mas não deixo que me imponham nem o sapateiro, nem o arquiteto, nem o cientista. Eu os aceito livremente e com todo o respeito que me merecem sua inteligência, seu caráter, seu saber, reservando todavia meu direito incontestável de crítica e de controle. Não me contento em consultar uma única autoridade especialista, consulto várias; comparo suas opiniões, e escolho aquela que me parece a mais justa. Mas não reconheço nenhuma autoridade infalível, mesmo nas questões especiais; conseqüentemente, qualquer que seja o respeito que eu possa ter pela humanidade e pela sinceridade desse ou daquele indivíduo, não tenho fé absoluta em ninguém. Tal fé seria fatal à minha razão, à minha liberdade e ao próprio sucesso de minhas ações; ela me transformaria imediatamente num escravo estúpido, num instrumento da vontade e dos interesses de outrem.

Se me inclino diante da autoridade dos especialistas, e se me declaro pronto a segui-la, numa certa medida e durante todo o tempo que isso me pareça necessário, suas indicações e mesmo sua direção, é porque esta autoridade não me é imposta por ninguém, nem pelos homens, nem por Deus. De outra forma as rejeitaria com horror, e mandaria ao diabo seus conselhos, sua direção e seus serviços, certo de que eles me fariam pagar, pela perda de minha liberdade e de minha dignidade, as migalhas de verdade, envoltas em muitas mentiras que poderiam me dar.

Inclino-me diante da autoridade dos homens especiais porque ela me é imposta por minha própria razão. Tenho consciência de só poder abraçar, em todos os seus detalhes e seus desenvolvimentos positivos, uma parte muito pequena da ciência humana. A maior inteligência não bastaria para abraçar tudo. Daí resulta, tanto para a ciência quanto para a indústria, a necessidade da divisão e da associação do trabalho. Recebo e dou, tal é a vida humana. Cada um é dirigente e cada um é dirigido por sua vez. Assim, não há nenhuma autoridade fixa e constante, mas uma troca contínua de autoridade e de subordinação mútuas, passageiras e sobretudo voluntárias.

Esta mesma razão me proíbe, pois, de reconhecer uma autoridade fixa, constante e universal, porque não há homem universal, homem que seja capaz de aplicar sua inteligência, nesta riqueza de detalhes sem a qual a aplicação da ciência a vida não é absolutamente possível, a todas as ciências, a todos os ramos da atividade social. E, se uma tal universalidade pudesse ser realizada em um único homem, e se ele quisesse se aproveitar disso para nos impor sua autoridade, seria preciso expulsar esse homem da sociedade, visto que sua autoridade reduziria inevitavelmente todos os outros à escravidão e à imbecilidade. Não penso que a sociedade deva maltratar os gênios como ela o fez até o presente momento; mas também não acho que os deva adular demais, nem lhes conceder quaisquer privilégios ou direitos exclusivos; e isto por três razões; inicialmente porque aconteceria com freqüência de ela tomar um charlatão por um gênio; em seguida porque, graças a este sistema de privilégios, ela poderia transformar um verdadeiro gênio num charlatão, desmoralizá-lo, animalizá-lo; e, enfim, porque ela daria a si um senhor."


Deus e o Estado – 1882

pt.wiki/Mikhail_Bakunin



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Em época de crise...


Em época de crise, só os que dominarem as artes básicas da subsistência irão SUBSISTIR e PREVALECER.



sábado, 16 de janeiro de 2010

Plataforma “Cidadania e Casamento”



Foi com grande pesar e frustração que a plataforma “cidadania e casamento”, que pretendia levar, a referendo popular, a proposta de legalização do casamento gay do PS, verificou que todo o parlamento de esquerda ignorou os seus pedidos, levando os responsáveis da plataforma a inferir que os deputados negaram-lhes o direito a uma democracia mais participativa, do povo para o povo.

Tudo muito bem. Concordo aqui com a dita plataforma (termo que lembra os ideais acratas dos movimentos anti-globalização, mostrando o desejo dos conservadores em ser modernos quando lhes convém).

No entanto, porque não exigiram igualmente referendos aquando da entrada de Portugal na CEE, ou no sistema monetário europeu, ou Euro, ou ainda na aceitação do tratado de Lisboa, momentos decisivos estes cujos efeitos e implicações ultrapassam, e muito, as exigências de uma minoria ao acesso a uma instituição tão antiga como o casamento, evocando o direito á igualdade entre cidadãos?

Será tão importante assim que o casamento se estabeleça apenas entre homem e mulher, com o objectivo único de procriarem, à boa moda bíblica?

Ou o Casamento é uma questão de “Status Quo”, status este ameaçado pela abertura de acesso aos gays, indivíduos de casta inferior, que poderão diminuir este status do casamento, diminuindo igualmente o status de todos os casados?

Ao ser verdade esta hipótese, está explicada a exigência desta plataforma, que tinha já, como objectivo, a vitória do não no dito referendo, alimentada por todos os casados receosos de cair, ainda que pouco, na grande pirâmide das classes sociais.

A saúde do Casamento depende do trabalho e dedicação de cada casal, e não do parlamento. Felizmente.

Sou a favor dos referendos e da participação directa dos cidadãos nas escolhas do seu rumo como povo? Sou sim, mais não poderia ser.
Mas esta plataforma só prova o quanto conservadores, preconceituosos e defensores de uma estrutura social profundamente desigual nós somos. Nós portugueses.
Todos nós.

Quem disse que há aqui uma geração inteira à beira de se perder?



Com a crise económica e financeira, os jovens têm ainda mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho. Os que conseguem abrir caminho fazem-no de forma precária. O debate estourou, no site do PÚBLICO, a partir de um rótulo usado pelos ingleses.

Carla tem 25 anos e quer pronunciar-se sobre o epíteto "geração perdida". Quer dizer: "Recuso-me a aceitar que nunca terei um futuro, um emprego, uma casa onde morar." Quer dizer: "Tenho a certeza absoluta de que, na minha área - línguas - nunca encontrarei nada e, por isso, comecei já a virar-me para outras áreas, de que gosto e nas quais poderei ter melhores hipóteses, como informática." Sabe o que é trabalho precário. Não se cala. Não se resigna. E acha que é preciso "mais pessoas a bater o pé", a dizer basta, a lutar por um futuro - melhor. "Abrir um negócio? Emigrar? Investir em outras áreas? Porque não? Força!"


A mensagem foi deixada na página electrónica do PÚBLICO. Carla, de Lisboa, encontrou ali lugar para exprimir a sua posição. Ela e muitas outras pessoas - da geração dela, de gerações anteriores. Mais de 250 comentários, até à hora de fecho desta edição, a propósito do artigo "A geração que está agora com 16-25 anos está perdida?", publicado no domingo nas páginas do jornal. O debate assume tonalidades diversas. Ora mais doído, ora mais acusatório, ora mais irónico, ora mais esperançado.


Gonzalvez, também de Lisboa, fala em geração "perdidíssima". E ironiza: "Muitos vão morrer em catástrofes e em guerras. Muitos vão ficar loucos, doentes mentais. Muitos vão casar-se com pessoas do mesmo sexo."


O rótulo "geração perdida" foi usado no Reino Unido, com base num estudo, encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust, que ouviu 2088 britânicos entre os 16 e os 25 anos. Mostra que os jovens britânicos foram tomados pela desesperança: 42 por cento assumem não ter ideia sobre o rumo que a sua vida pode levar; e um em cada dez admite que passa a maior parte do tempo desmotivado e deprimido.


O assunto, também em Portugal, é sério. Basta olhar para os números do Eurostat: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Esta geração demora mais do que as anteriores a entrar no mercado de trabalho. E quando entra, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes.


Por Ana Cristina Pereira


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Yegong adora dragões

Dizia-se que Yegong adorava dragões. Quem ia a sua casa ficava sem dúvidas a respeito desse amor, pois estava cheia de imagens dos ditos, nas paredes, roupas, loiças, móveis e até nos tectos; não havia mesmo porta ou coluna que não tivesse um ou vários dragões esculpidos.

Ao tomar conhecimento da situação, o verdadeiro dragão ficou sensibilizado com Yegong e resolveu retribuir-lhe a amabilidade com uma visita. Preparou-se, perfumou-se com as melhores essências celestiais, e desceu à terra rumo à casa do seu admirador.

Achou por bem, para que a surpresa fosse maior, entrar por uma janela. Apenas tinha metade da cabeça dentro da sala e já Yegong, apavorado, tremia de alto a baixo. O terror deu-lhe para fugir de casa numa gritaria infernal.


"Contos da Terra dos Dragões" de Wang Suoying e Ana Cristina Alves, Editora Caminho

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?


Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).

O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa".

Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.

continuação

http://www.publico.pt/Sociedade/a-geracao-que-esta-agora-com-1625-anos-estara-perdida_1417062

http://www.precariosinflexiveis.org/2010/01/geracao-perdida-no-jornal-publico-de.html

http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/2010/01/publico-geracao-que-esta-agora-com-16.html

sábado, 9 de janeiro de 2010

Casamento Gay: Parabéns Portugal


O nosso país tornou-se o oitavo do mundo onde é permitido o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo.
Por isso, parabéns...

No outro lado está a questão da adopção, e aí o governo PS "fugiu com o rabo à seringa", criando nova descriminação, um casamento de segunda, onde os seus protagonistas não têm direito reconhecido a filhos em comum. O que é um escândalo, uma inconsistência de todo o tamanho.

Um cidadão gay poderá sempre adoptar individualmente uma criança. Tais adopções já existem entre nós.

Segundo a nossa lei, a criança terá sempre um pai/mãe, mas o seu cônjuge gay será apenas um amigo/amiga do pai/mãe. Na melhor das hipóteses, será considerado tutor, após elaboradas ginásticas de seus advogados (assim só gays ricos terão, na prática, dispendiosos direitos e deveres iguais aos restantes cidadãos).

Mais uma vez, abriu-se a porta para futuros circos e combates nas arenas/tribunais de Portugal.

Diz-se mesmo que casados gays terão de se divorciar, para que um deles possa adoptar, podendo casar de novo em seguida.

Esta é, assim, uma lei armadilha, fruto de uma despreocupada manobra de publicidade de um partido, mais preocupado em votos que em direitos humanos, ou direitos da criança.

Cabe aos cidadãos a execução de um sem numero de manobras e despistagens, à boa maneira portuguesa, para que as famílias não percam a sua coesão e força, qualquer que seja o tipo de família.
As crianças em primeiro, esta é a grande lei.

A todos desejo muito Amor, Resiliência e Sabedoria.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Buckminster Fuller


O experimento de um suicida


Em 1927, um desempregado de 32 anos, financeiramente quebrado, duas vezes expulso da universidade, pai de uma menina que morreu de paralisia infantil, foi às margens do Lago Michigan, próximo a Chicago. Sua intenção: suicidar-se nas águas do lago. Antes de tirar a vida, ele teve uma ideia: e se, e em vez de se matar, ele passasse o resto da vida fazendo o papel de cobaia em um experimento? O experimento:

“Descobrir o quanto um indivíduo miserável e desconhecido com uma esposa dependente e um filho recém nascido pode fazer em benefício de toda a humanidade?”.

Ele foi mais específico:

“Fazer o mundo funcionar para 100% da humanidade, através de colaboração espontânea, sem dano ecológico e sem prejudicar ninguém”.

O nome desse sujeito era Buckminster Fuller.

Por anos e anos e anos ouvi falar desse sujeito. Ele inspirou os hippies. E inspirou também os sujeitos que criaram o Vale do Silício e a revolução dos computadores. Foi amado por editores de revistas que eu adoro. Foi lido pelos criadores do ambientalismo, e muito dos termos que ele criou (por exemplo, “espaçonave Terra”) ainda ecoam por mercados orgânicos da Califórnia. Era chapa de Albert Einstein. Encantou gerações de arquitetos, de engenheiros, de tecnocratas e recebeu de Harvard um título de “poeta”. Inspirou físicos quânticos. Talvez ele seja um dos teóricos mais influentes do nosso século. Mas ninguém lê mais o que ele escreve. No máximo, lembram dele por ter criado aquela estrutura redonda usada no Epcot Center.

Por Denis Russo Burgierman



Fuller começou a estudar em Harvard mas foi expulso desta universidade. Fez serviço militar na marinha norte-americana durante a 1ª Guerra Mundial. Em 1927, com a idade de 32 anos, na bancarrota e desempregado, vivendo em condições precárias em Chicago, viu a sua jovem filha, Alexandra, morrer de pneumonia durante o Inverno. Sentindo-se culpado, começou a beber e pensou em suicidar-se. Segundo as suas palavras, quando ia consumar o acto, decidiu fazer "uma experiência: descobrir o quanto poderia um único indivíduo contribuir para mudar o mundo e beneficiar toda a humanidade." No meio século que se seguiu, Fuller presenteou o mundo com um largo espectro de ideias, projectos e invenções, que visavam essencialmente a eficiência e o baixo custo de habitações e transportes. Documentou escrupulosamente a sua vida, filosofia e ideias num diário pessoal e em vinte e oito publicações. Foi condecorado nos Estados Unidos por vinte e cinco vezes e agraciado com cinquenta doutoramentos "honoris causa". A 16 de Janeiro de 1970, Fuller recebeu a Medalha de Ouro do American Institute of Architects.

A sua carreira internacional deu um salto com o sucesso das suas enormes cúpulas geodésicas, nos anos 1950. Desenhando, pesquisando, desenvolvendo projectos e escrevendo, ensinou design nas várias partes do mundo.

Richard Buckminster Fuller faleceu em 1 de julho de 1983 aos 87 anos. Deixou 56 anos de pesquisa nas mais diversas áreas totalmente documentada. Com excepção do domo geodésico, que atualmente existem aproximadamente 200.000 espalhados pelo mundo, a maioria das invenções de Fuller ainda não foram produzidas em larga escala.

Considerado mundialmente como um líder carismático do design, da arquitectura e das comunidades "alternativas". Conta-se que ao visitar a sua mulher, que estava em coma num hospital, disse: "Está à minha espera". Em seguida terá fechado os olhos. Duas horas depois estava morto, vítima de ataque cardíaco. A sua mulher morreu 36 horas depois.