segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Ecologia Social II

Talvez que um dos contributos mais importantes da ecologia social para as discussões atuais no seio da ecologia seja o ponto de vista de que os problemas básicos que colocam a sociedade contra a natureza estão situados dentro do próprio desenvolvimento social, e não entre a sociedade e a natureza. Que é o mesmo que dizer que as divisões entre sociedade e natureza têm as suas raízes profundas nas divisões internas no domínio do social, nomeadamente nos conflitos entre humanos, que tantas vezes ignoramos pelo uso generalizado da palavra «humanidade».

Esta visão fundamental corta com as raízes de quase todo o pensamento ecológico contemporâneo, e mesmo das teorizações sociais. Uma das mais arreigadas noções que o pensamento ecológico atual partilha com o liberalismo, o marxismo e o conservadorismo é a da crença histórica de que o domínio da natureza exige o domínio do homem pelo homem. Isto é igualmente óbvio nas teorias sociais; quase todas as nossas ideologias sociais contemporâneas colocaram a noção de dominação humana no centro das suas teorizações. Tal continua a ser uma das noções mais largamente aceites, dos pensadores clássicos aos contemporâneos, de que a libertação do «homem da dominação pela natureza» arrasta a dominação do homem pelo homem, como nos primeiros modos de produção e o uso de seres humanos como instrumentos de sujeição do mundo natural. Por isso, no sentido de domar o mundo natural, foi defendido durante muito tempo que era necessário sujeitar os seres humanos enquanto tal, sob forma de escravos, servos e trabalhadores.

Que esta noção instrumental penetre a ideologia de quase todas as elites dirigentes e que tenha fornecido quer aos movimentos liberais quer conservadores argumentos para a sua conformação com o status quo, não exige grande reflexão. O mito de uma natureza «mesquinha» sempre foi usado para justificar a «prodigalidade» dos exploradores no seu severo tratamento dos explorados — e forneceu a desculpa para o oportunismo político liberal, tanto quanto o dos conservadores. Trabalhar «por dentro do sistema» sempre implicou uma aceitação da dominação como forma de «organização» da vida social e, quanto muito, um modo de libertação dos humanos da sua presumida dominação pela natureza.

O que talvez seja menos conhecido, no entanto, é que também Marx justificava o surgimento da sociedade de classes e do Estado como etapas para o domínio da natureza e, presumivelmente, a libertação da humanidade. Foi na força desta visão histórica que Marx formulou a sua concepção materialista da história e baseou a sua crença na necessidade da sociedade de classes como ponto de apoio na marcha histórica para o comunismo. 

Ironicamente, muito do que atualmente passa por ecologia anti-humanística e mística envolve exatamente o mesmo tipo de pensamentos, mas na sua forma invertida. Assim como os seus oponentes instrumentais, estes ecologistas assumem que a humanidade é dominada pela natureza, seja sob a forma de «leis naturais» ou de uma inefável «sabedoria da terra» que guiam o comportamento humano. Mas enquanto os seus adversários defendem a necessidade de conseguir uma «rendição» da natureza a uma humanidade activa-agressiva e «conquistadora», os ecologistas anti-humanistas e místicos defendem a «rendição» de uma humanidade passiva-receptiva a uma natureza «conquistadora». Por muito que estes dois pontos de vista se diferenciem no seu paleio e nas suas lamentações, a dominação permanece a noção subjacente em ambos: um mundo natural concebido como dirigente, seja para ser controlado ou obedecido.

A ecologia social confronta esta armadilha dramaticamente, reexaminando o próprio conceito de dominação, seja na natureza ou na sociedade ou sob a forma de lei natural ou social. Aquilo a que habitualmente chamamos dominação na natureza é uma projeção humana dos sistemas altamente organizados de comando e obediência «social» para altamente idiossincráticas, individuais e assimétricas formas de comportamento, freqüentemente subtis, de coerção em comunidades animais. 

Simplificando, os animais não «dominam» outros animais do mesmo modo que a elite humana domina e explora um grupo social oprimido. Nem «governam» através de formas sistemáticas de violência, como o fazem as elites sociais. Entre os macacos, por exemplo, existe pouca ou nenhuma coerção, mas tão só esporádicas formas de comportamento dominante. 

Os gibões e os orangotangos são notáveis pelo seu comportamento pacífico para os membros da sua própria espécie. Os gorilas são freqüentemente também pacíficos, apesar de poderem assumir um «alto status», como o dos machos maduros e fisicamente mais fortes em relação ao «baixo status» dos mais jovens e fracos. Os «machos dominantes» entre os chimpanzés não ocupam posições de «status» muito definidas naquilo que são os seus grupos flutuantes; o «status» que adquirem acaba por dever-se a uma variedade de causas.

Pode-se saltar de uma espécie animal para outra, acabando por encontrar várias situações de diferenciação e assimetria que levam a procurar «altos» e «baixos status» individuais. Esta pesquisa vai-se tornando sem sentido, no entanto, quando termos como «status» são usados tão flexivelmente que permitem a inclusão de meras diferenças de comportamento e de funções dentro do grupo, em vez de acções coercivas.

O mesmo se pode dizer em relação ao termo «hierarquia». Seja na sua origem seja no seu sentido estrito, este termo é fortemente social, não zoológico. Termo grego, originalmente usado para designar diferentes níveis de divindades e, mais tarde, do próprio clero (caracteristicamente, Hierapolis era uma antiga cidade frígia, na Ásia Menor, que foi o centro do culto da deusa-mãe), a palavra foi-se expandindo para recobrir tudo, desde as colmeias até ao efeito da erosão de uma corrente de água sobre o leito de pedras, entendido como um esgotamento e um «domínio» desse leito. 

As cuidadosas mães elefantes foram consideradas «matriarcas» e os atentos macacos machos, que mostram uma grande dose de coragem na defesa da sua comunidade, adquirindo com isso alguns «privilégios», são geralmente designados como «patriarcas». A ausência de um sistema organizado de governação nestas comunidades animais — tão comum nas comunidades humanas hierarquizadas e sujeito a mudanças institucionais radicais, incluindo revoluções populares — é largamente ignorado.

Mais uma vez, as diferentes funções que as presumíveis hierarquias animais desempenhariam, isto é, as causas assimétricas que colocam um indivíduo num «estatuto alfa» e os outros em estatutos inferiores, são entendidas onde, simplesmente, as notamos. 

Poder-se-ia, pelo mesmo princípio, colocar as maiores sequóias gigantes num «status» superior em relação às mais pequenas, ou então encará-las como a elite da floresta, hierarquicamente dominantes em relação aos «submissos» carvalhos, os quais, só para complicar, até são mais avançados nas escalas evolutivas. 

A tendência para mecanicamente projectarmos categorias sociais no mundo natural é tão irracional como a tentativa de projectarmos conceitos biológicos na geologia. Os minerais não se «reproduzem» como o fazem os seres vivos. As estalactites e as estalagmites, nas cavernas, vão crescendo ao longo dos tempos mas nenhum sentido do seu crescimento pode mesmo remotamente corresponder ao crescimento dos seres vivos. Considerar algumas semelhanças superficiais, por vezes obtidas por estranhas maneiras, e agrupá-las em identidades partilhadas, é como falar no «metabolismo» das rochas ou na «moralidade» dos genes.

Isto põe a questão das repetidas tentativas de encontrar traços éticos e sociais no mundo natural, que será apenas potencialmente ético tanto quanto pode constituir uma base para uma ética social objetiva. Sim, certamente que a coerção existe na natureza, mas nesta também existem a dor e o sofrimento. No entanto, a crueldade não existe. As intenções e as vontades dos animais são demasiado limitadas para produzir uma ética de bem e de mal, de bondade e crueldade. 

A evidência de pensamento conceptual e inferente é muito limitada entre os animais, exceto nos primatas, nos cetáceos, nos elefantes e talvez nuns quantos outros mamíferos. Mesmo entre os mais inteligentes animais os limites do seu pensamento são imensos comparativamente às extraordinárias capacidades dos seres humanos socializados. Podemos mesmo admitir que somos ainda pouco humanos actualmente, em função do nosso ainda desconhecido potencial para sermos mais criativos, atenciosos e racionais. A nossa sociedade dominante serve mais para inibir do que para realizar o nosso potencial humano. 

Ainda nos falta imaginação para saber até onde as nossas melhores características se podem expandir, com uma administração dos nossos assuntos mais ética, ecológica e racional.

Em contraste, o mundo não-humano conhecido parece ter atingido limites visíveis para a sua capacidade de sobrevivência às mudanças ambientais. Se a mera adaptação às alterações no ambiente é entendida como o critério para o êxito evolutivo (como muitos biólogos entendem), então os insectos devem ser colocados num lugar mais elevado de desenvolvimento do que qualquer mamífero. No entanto, eles não seriam capazes de produzir uma avaliação intelectual de si próprios tão imponente como a «abelha rainha» poderia ter-se, mesmo remotamente, tivesse consciência do seu «real» estatuto — devo acrescentar, um estatuto que apenas os humanos (que sofreram a dominação social de estúpidos, cruéis e ineptos reis e rainhas) seriam capazes de atribuir a um insecto inconsciente.

Nenhuma destas questões pretendem metafisicamente opor a natureza à sociedade, ou a sociedade à natureza. Pelo contrário, a sua intenção é defender que o que une a sociedade à natureza numa contínua e gradual evolução é a notável extensão pela qual os seres humanos, vivendo numa sociedade racional e ecologicamente orientada, poderiam envolver a criatividade da natureza — distinguindo-se isto de um critério de êxito evolutivo puramente adaptativo. 

As grandes realizações do pensamento humano, a arte, a ciência e tecnologia, não servem apenas para monumentalizar a cultura, servem igualmente para monumentalizar a própria evolução natural. Fornecem-nos provas heróicas de que a espécie humana é uma forma de vida de sangue quente, excitantemente versátil e agudamente inteligente — e não um insecto de sangue frio, geneticamente programado e destituído de mente —, o que demonstra os grandes poderes da criatividade natural.

As formas de vida que criam e conscientemente alteram o seu meio ambiente, desejavelmente no sentido de o tornar mais racional e ecológico, representam uma vasta e indefinida extensão da natureza para um fascinante, e talvez ilimitado, campo de evolução, no qual nenhuma espécie de insectos alguma vez terá lugar — a evolução de uma natureza totalmente autoconsciente. Se isto é humanismo, ou mais precisamente humanismo ecológico, a corrente produção de anti-humanistas e de misantropos é bem-vinda para fazer parte dele.

Murray Bookchin

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Jacques Ellul - A traição pela tecnologia (parte 1 de 6)



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segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Ecologia Social I


A abordagem da sociedade e da natureza que é feita pela ecologia social pode parecer mais exigente intelectualmente, mas assim evita o simplismo do dualismo e a rudeza do reducionismo. A ecologia social tenta mostrar de que modo a natureza lentamente se introduz na sociedade, sem ignorar as diferenças entre uma e outra, por um lado, nem a extensão pela qual se fundem, por outro. A socialização diária dos jovens pela família não radica menos na biologia do que os cuidados diários aos velhos pela instituição médica radicam nos duros factos sociais. Do mesmo modo, nunca deixamos de ser mamíferos que ainda mantêm os mesmos impulsos primários naturais, mas institucionalizamos esses impulsos e a sua satisfação numa ampla variedade de formas sociais. Assim, o social e o natural continuamente se interpenetram nas actividades mais comuns do dia a dia, sem perda da sua identidade, num processo partilhado de interacção e interactividade.

A ecologia social levanta questões importantes quanto aos diferentes modos como a natureza e o social têm interagido ao longo dos tempos e que problemas essa interacção tem originado. Como é que emergiu uma relação entre a humanidade e a natureza de tipo dualista, separada, mesmo  até conflitual? Quais foram as formas institucionais e as ideologias que o tornaram possível? Considerando o crescimento das necessidades humanas e da tecnologia, era tal conflito inevitável? E poderá ele ser ultrapassado no futuro, numa sociedade ecologicamente empenhada?

De que modo é que uma sociedade racional e ecologicamente orientada se adequa ao processo da evolução natural? Indo ainda mais longe: existe alguma razão para crer que a mente humana, ela própria um produto da evolução, assim como a cultura, representa um cume decisivo de desenvolvimento natural — nomeadamente no longo desenvolvimento das formas de vida simples até à notável intelectualidade e autoconsciência das mais complexas?

Ao colocar estas questões altamente provocatórias não pretendo justificar nenhuma pomposa arrogância em relação à vida não-humana. Claramente, devemos trazer a particularidade da humanidade como espécie, caracterizada por atributos sociais, imaginativos e construtivos preciosos, à sincronicidade com a fecundidade, diversidade e criatividade da natureza. Defendo que esta sincronicidade não deve ser conseguida à custa da oposição entre natureza e cultura, vida humana e não-humana, fecundidade natural e tecnologia ou uma subjectividade natural oposta à mente humana. De fato, um importante resultado que emerge da discussão do inter-relacionamento da natureza com a sociedade é o fato do pensamento humano ter também uma base natural. O nosso cérebro e o nosso sistema nervoso não surgiram repentinamente, têm uma longa história natural. Aquilo que mais prezamos como integral para a nossa humanidade — a nossa extraordinária capacidade de pensar em níveis conceptuais complexos — pode ser pesquisado desde a rede nervosa dos invertebrados primitivos, os gânglios dos moluscos, a medula dos peixes, o cérebro dos anfíbios, até ao córtex dos primatas.

Mesmo aqui, no mais íntimo dos nossos atributos humanos, não somos menos produto da evolução natural do que da evolução social. Enquanto seres humanos incorporamos eras de diferenciação e elaboração orgânicas. Como as outras formas de vida complexas, não somos apenas parte da evolução natural, somos igualmente seus herdeiros e produto da fecundidade natural.

Ao tentar mostrar como a sociedade lentamente vai crescendo a partir da natureza, no entanto, a ecologia social também se vê obrigada a mostrar como a sociedade também sofre diferenciação e elaboração internas. Ao fazê-lo, a ecologia social deve examinar aquelas costuras na evolução social em que as rupturas ocorrem, empurrando lentamente a sociedade para uma oposição ao mundo natural, e explicar a emergência desta oposição desde as suas origens pré-históricas até aos nossos dias. De fato, se a espécie humana é uma forma de vida que pode conscientemente enriquecer o mundo natural, em vez de apenas lhe causar prejuízo, é importante para a ecologia social revelar os factores que tornaram muitos seres humanos parasitas de um mundo vivo, e não parceiros activos da evolução orgânica. Este projecto deve ser assumido não de um modo ocasional mas como uma séria tentativa de dar coerência à evolução natural e social, e como relevante para os nossos tempos e para a construção de uma sociedade ecológica.

Murray Bookchin

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sociedade e Ecologia



Murray Bookchin

A humanidade tem sido difamada pelos próprios seres humanos, ironicamente como uma forma de vida amaldiçoada que acima de tudo destrói o mundo vivo e ameaça a sua integridade. À confusão que já temos acerca do nosso próprio tempo e identidade pessoais, junta-se agora a confusão de que a condição humana é vista como uma espécie de caos produzido pela nossa tendência para a destruição, e a nossa capacidade para o exercício dessa tendência é tanto maior precisamente porque possuímos razão, ciência e tecnologia. É até este ponto absurdo que certos anti-humanistas, biocentristas e misantropos podem levar a lógica das suas premissas.


Os problemas que muita gente enfrenta hoje em dia para «definir-se» a si própria, para conhecer «quem é» — problemas que alimentam a vasta indústria das psicoterapias— não são problemas apenas pessoais. Estes problemas existem não apenas ao nível dos indivíduos mas na própria sociedade moderna, entendida como um todo. Socialmente, vivemos numa desesperada incerteza sobre o modo como as pessoas se relacionam entre si. Não é só como indivíduos que sofremos de alienação e confusão acerca das nossas identidades e objectivos; toda a nossa sociedade, concebida como entidade, parece confusa quanto à sua natureza e direcção. Se sociedades mais antigas tentaram fomentar a crença nas virtudes da cooperação e do apoio, desse modo atribuindo um sentido ético à vida social, a sociedade moderna fomenta a crença nas virtudes da competição e do egoísmo, assim despojando a associação humana de todo o seu significado — excepto, talvez, enquanto instrumento de ganho e de consumo sem sentido. VER MAIS

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Elis Regina - Como Nossos Pais

 
Faço minhas as palavras da Elis...

Como Nossos Pais

Elis Regina

Composição: Belchior
Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

01/14- Mindwalk- O Ponto de Mutação [port-Br]






Filme obrigatório a todos os que se preocupam com o mundo que os rodeia, e com a forma como o vemos e agimos sobre ele. Confronto entre o paradigma cartesiano e o paradigma holístico, entre o mundo máquina e o cosmos de absoluta interdependêndia entre tudo o que existe, entre a politica de massas e a demanda ecológica pela sustentabilidade dos sistemas, entre o mundo acelerado do consumo e producção e o isolamento necessário para que a pessoa se encontre consigo mesma, e com as grandes questões da humanidade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A caminho da simplicidade voluntária (parte II)


Serge Mongeau

A simplicidade voluntária
A expressão "simplicidade voluntária" foi popularizada nos Estados Unidos por Duane Elgin no seu livro publicado em 1981 Volontary Simplicity; Elgin atribuia a paternidade do conceito a Richard Gregg, um adepto de Gandhi que havia escrito em 1936 um artigo com esse título.

Da minha parte, escrevi uma primeira versão de La simplicité volontaire em 1985, no âmbito de uma colecção de livros sobre saúde; a minha reflexão sobre a saúde tinha-me levado à conclusão que nos países industrializados, a maior parte dos nossos problemas de saúde são derivados do sobre-consumo e que a nossa busca de saúde nos devia levar a um estilo de vida mais sóbrio, claramente contra a corrente. Dizia:

" A simplicidade não é a pobreza, é um despojar que nos deixa mais espaço para o espírito, para a consciência. É um estado de espírito que nos convida a apreciar, a saborear, a procurar a qualidade, é uma renúncia aos artefactos que pesam, incomodam e impedem de ir até ao fim das possibilidades".

Voltei a escrever o meu livro numa reedição aumentada em 1998, desta vez insistindo nos efeitos sociais e ecológicos do nosso consumo excessivo: "Hoje em dia, dou-me conta que a via da simplicidade voluntária não constitui simplesmente o melhor caminho para a saúde, mas é sem dúvida a única esperança para o futuro da humanidade".

A via da simplicidade voluntária abre-se por um caminho pessoal de introspecção: trata-se de cada um descobrir quem é, e identificar as respostas às suas verdadeiras necessidades, e quando falo de necessidades penso para além das necessidades físicas de base, nas necessidades sociais, afectivas e espirituais. O que é que me vai preencher plenamente em todas as minhas dimensões e capacidades?

No nosso mundo de abundância, isto significa que temos de escolher; não ir mais na corrente da moda, da publicidade ou do olhar os outros, mas sim em função das necessidades autênticas. Por definição escolher significa agarrar qualquer coisa e deixar de lado outras coisas. Quando se começa a escolher consome-se menos, e por isso precisamos menos dinheiro para viver.

Podemos então trabalhar menos e com o tempo ganho podemos fazer tudo o resto que é essencial à nossa plenitude: reflectir, falar com os que nos estão próximos, manifestar a nossa compaixão, amarmo-nos, brincar... E também responder por nós proprios às necessidades que pesam mais e mais pelas compras, que nos tornam cada vez mais dependentes. De facto é ai que está a dimensão essencial da simplicidade voluntária: reencontrar o tempo, que dá asas à consciência.

Agarrar tempo para viver é agarrar tempo para pensar, é parar o tempo, é aproveitar o momento presente. Quando se vive a correr, no stress, não se sente o tempo a passar, deixamo-nos arrastar, deixamo-nos levar pelas circunstâncias e pela vontade dos outros. Reencontrar o tempo é tomar posse da nossa vida, o que permite libertar-se verdadeiramente, ir para além da informação superficial, contra a corrente, se necessário. Moldar a sua vida, vivê-la como se quer. Empenhar-se também. É minha convicção profunda que quando se reflecte, quando nos informamos e que abrimos os olhos, não se pode mais aceitar o que se passa no mundo e tenta-se muda-lo.

A simplicidade voluntária dá-nos pano para mangas, no nosso mundo baseado no consumismo, é uma recusa ao consumo cego, é o caminho para um consumo consciente, responsável, social. É uma recusa do sistema capitalista que está a dar cabo do planeta.

É um caminho difícil hoje em dia, pois vivemos num mundo minado, carregado de armadilhas que procuram explorar-nos para o seu proveito próprio:
- aproveitando-se das nossas capacidades e explorando-nos pelo lucro, no mundo do trabalho da maioria;
- manipulando-nos para que legue-mos o poder nas suas mãos: o mundo politico;
- quando nos prometerem todo o género de benefícios para que compremos os seus produtos ou serviços, com o que enriquecerão os seus bolsos.

A maior parte de nós cai nas armadilhas e perdemos o controle sobre as nossas vidas. A simplicidade voluntária aparece-nos como um instrumento essencial para se libertar. Vão-me dizer: sim, mas é um caminho individual e mesmo egoísta. Individual de certa maneira, mas não individualista, pois a via de saída, mesmo que faça parte de um processo pessoal, conduz muito rapidamente ao colectivo: não conseguimos libertar-nos sozinhos.

Somos seres sociais e não conseguimos remar contra a maré em permanência. Precisamos da aceitação dos outros, é essencialmente o que dá sentido à nossa vida. Para viver aceitavelmente temos necessidade de serviços colectivos adequados: de cidades mais conviviais, transportes públicos acessíveis e eficazes, de todo o género de serviços públicos...

Para a nossa sobrevivência neste planeta, precisamos de empreender acções colectivas significativas. Para mim adoptar a simplicidade voluntária não é retirar-se do mundo, saltar fora do barco para gozar egoisticamente a vida. Sim, existe uma dimensão de busca de prazer na simplicidade voluntária, mas a longo prazo a nossa vida não pode ser projectada separadamente da evolução do mundo. Eu não quero fazer a minha vidinha sozinho e que tudo o resto se derreta aos meus pés: a poluição, o efeito de estufa, a violência... Vêm ter comigo onde quer que eu esteja.

Serge Mongeau Vers la simplicité volontaire
Postado por Ana Loichot em O Decrescimento

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O CAPITALISMO SOMOS NÓS parte V e VI



V
Nós todos os que aqui estamos participamos nesta mentira (dinheiro). Vivemos nela. Os nossos gestos de todos os dias são cúmplices da sua criação e aprofundamento.

O capitalismo como o conhecemos hoje é uma estória que foi sendo criada a partir dos momentos mais violentos e criativos da humanidade. Alimenta-se das suas guerras e revoluções para se perpetuar e aperfeiçoar. Para construir todo um sistema de defesa de um modo de vida que é o seu.

O lazer, as polícias, as férias pagas, o trabalho, o exército, os salários, a economia como gestão permanente da crise, os engates, os copos, os carrões, hollywood, os partidos, os sindicatos, o simulacro de decisão a que chamam eleições, as esplanadas na praia, a publicidade, a bolsa e as agências de rating, a europa, são tudo instâncias de defesa desse modo de vida a que chamam capitalismo.

Curiosamente uma proporção desastrosa da humanidade dedica o seu tempo de trabalho a essas actividades, que no fundo servem apenas para garantir que acreditamos o suficiente na sua mentira. O suficiente para que possamos continuar a ler verdades básicas e simples atrás recordadas (II) como uma compilação de ingenuidades.

VI
Desse modo, aqueles que considerem que o capitalismo, mais do que os servir, se serve deles, terão de organizar a sua autonomia e liberdade. Abandonar os supermercados, as fábricas, as empresas, os bancos, as torres de comunicação.

Recuperar as ruas, ocupar os espaços, desertar da economia global.

Como resposta à crise que inventaram para nós, organizemos a greve não anunciada por tempo indeterminado, ou o boicote e sabotagem por parte dos precários, trabalhadores já despojados de todo o direito, a expropriação das terras abandonadas à caça desportiva, a autogestão dos meios de subsistência e a sua distribuição, o derrubar do império global e o erguer da economia social e local, a proliferação das novas estórias.

O capitalismo dá-nos a escolher entre a miséria e o trabalho com a promessa de um futuro de conforto que nunca chega.

A revolta oferece-nos um presente de incerteza que contém a maior aventura que um ser humano se pode oferecer: Organizar a sua vida autonomamente com os seus amigos e vizinhos.


terça-feira, 15 de junho de 2010

O CAPITALISMO SOMOS NÓS parte IV

No tempo em que temos vivido há uma narrativa fundadora de onde nascem todas as mentiras. Essa mentira chama-se dinheiro, capital.

O dinheiro não é outra coisa senão o trabalho. Uma forma de quantificar e qualificar o trabalho.

Uma maneira de separar as pessoas entre aquelas que podem mandar fazer e as outras que têm que fazer o que lhes mandam.

É nesse sentido que o dinheiro é o poder. É uma narrativa que organiza e complexifica o mundo de tal maneira que separa as pessoas da possibilidade de se alimentarem sozinhas. Para comer e satisfazer as suas necessidades mais básicas têm que fazer as tarefas que aqueles que podem, porque têm mais dinheiro, lhes mandam fazer.

Têm que trabalhar, não só para comer, mas também para poder mandar outros fazer as coisas de que precisam.

Essa mentira - que começou por ser uma brincadeira entre gente que só queria trocar batatas por cenouras - já se desenvolveu e se intensificou com um tal grau de sofisticação que contaminou, colonizou todos os momentos da nossa vida. Ao ponto de se tornar uma imagem de si própria, uma imagem da mentira.Uma mentira que se tornou autónoma da realidade, abstracta.

Hoje ela diz-nos que todos os seres humanos têm que realizar trabalho, produzir dinheiro.
Já esquecemos onde é que começou nem sabemos porquê, já não interessa.

Petróleo vai regressar aos máximos históricos já no próximo ano...


O economista canadiano Jeff Rubin diz que o petróleo vai regressar aos máximos históricos já no próximo ano se não houver uma nova recessão.

Em entrevista ao Negócios, na sua passagem por Portugal para promover o livro "Por que é que o seu mundo vai ficar muito mais pequeno" – obra editada pela Lua de Papel que se debruça sobre a subida do preço do petróleo e o fim da globalização -, o ex- economista-chefe da CIBC World Markets falou sobre os preços do crude, a maré negra no Golfo do México, a crise da Zona Euro e a exploração de petróleo em águas profundas e nas areias betuminosas.

sábado, 12 de junho de 2010

Sons & Ruralidades - Festival de ecologia, artes e tradições populares (10 a 13 de Junho, em Vimioso, Trás-Os-Montes)



É chegada a altura de nos reunirmos...

O festival SONS & RURALIDADES pretende ser um novo modelo de festival cultural, superando o espaço e tempo do festival para revitalizar e regenerar a região rural do nordeste transmontano. Este festival faz parte de um programa de desenvolvimento para esta região, procurando que a arte e a cultura sejam a causa para a revitalização da região, procurando novas aproximações artísticas, sociais e económicas. Estimulando sinergias entre o património faunístico e florístico e o património cultural, material e imaterial. Pensando os humanos como parte da natureza e a biodiversidade como um todo. Criando novas oportunidades de criar e de reflectir colectivamente sobre o desenvolvimento local e proporcionando novas visões de futuro.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

O CAPITALISMO SOMOS NÓS parte III


























Desde os tempos mais antigos que a vida e o quotidiano se constroem em cima de narrativas - mentiras que organizam o mundo.
Nalguns lugares houve quem contasse à luz de fogueiras que sabia ouvir e falar com pedras e estrelas.
Noutros sítios inventou-se que as pessoas que nasciam numa dada terra, bem como os seus filhos e netos, pertenciam àquela terra que que por isso deviam obedecer a quem reunisse forças e brutalidade suficiente para estabelecer a ordem nessa terra.
Ainda noutro canto as pessoas já nasciam a acreditar que as coisas, o chão onde se anda, as casas onde se vive, até os objectos, pertencem sempre a uma pessoa qualquer - mesmo se usados por outros, pertencem-lhe - e se alguém morrer passarao a pertencer aos seus filhos.
As pessoas acreditam nestas coisas, e como tem necessidade de estórias dessas para arrumar o mundo e fugir à loucura e à solidão, tomam o pequeno almoço em cima delas, dormem, trabalham, procriam, sempre de acordo com as estórias que conhecem.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A caminho da simplicidade voluntária (parte 1)

tirado de O Decrescimento.blogspot


O decrescimento pode ter continuidade na vida pessoal de cada um através da escolha da simplicidade voluntária. Uma iniciativa individual que leva a acções colectivas.
Face aos problemas que afectam o nosso planeta, o decrescimento não é uma opção entre outras, é necessária. Não podemos impor um crescimento ilimitado a um planeta, a Terra, fechado e limitado. De facto, um tal crescimento assenta na utilização sempre maior dos recursos do planeta e gera resíduos cada vez mais abundantes; ora, neste momento, já ultrapassamos a capacidade de produção da Terra; consumimos o capital terrestre em vez de aproveitarmos os seus frutos; consumimos a capacidade da Terra de utilizar as suas multiplas substâncias químicas devido às invenções humanas, e para as quais a natureza não tem mecanismos suficientes de metabolização. Resultado: o equilíbrio do planeta tal como o conhecemos e tal como o necessitamos para a nossa sobrevivência está ameaçado a curto prazo. Vinte anos, cinquenta anos, cem anos até que os desastres batam à porta? A maioria vê esta ameaça muito longínqua, apesar de o seu modo de vida estar já, directa ou indirectamente, a ser afectado. E que são estes poucos anos na história da Terra, que data de milhões de anos, ou na história da humanidade, que conta centenas de milhares de anos? À escala de uma vida humana, a história da humanidade vive, talvez, os seus últimos segundos. E que fazemos face a esta perspectiva? Os que podem, consumem cada vez mais, os que não podem aspiram chegar lá o mais rapidamente possível. E os nossos governos puxam a maquina à sua capacidade máxima: “é preciso manter um crescimento contínuo para conseguir criar empregos e suportar o aumento constante do consumo.”.

O decrescimento escolhido ou imposto
Encontramo-nos, neste momento, num cruzamento de caminhos. Para os que conservaram uma certa lucidez, está claro que vamos atingir brevemente os limites inultrapassáveis do uso dos recursos do planeta. Acreditar que a ciência e da tecnologia podem fazer recuar indefinidamente os limites do consumo é apenas um mito perigoso. Os limites estão à nossa porta e são quase inevitáveis; a única dúvida está na ordem da sua entrada em cena. Veremos os nossos filhos criar monstros às custas de todas as substâncias mutagénicas que absorvem todos os dias através do ar que respiram, da água que bebem e dos alimentos que ingerem? A menos que já sejam estéreis, a baixa de produção de espermatozóides já está bem estabelecida no mundo industrializado... As mudanças climáticas transformarão os nossos países em desertos ou em pântanos? (...)

Claro, se nada for feito, e rapidamente, o momento de agir peremptoriamente vai chegar. Face às catástrofes os governos não terão escolha. Mas que tipo de sociedade será construída? Sociedades autoritárias com medidas restritivas impostas à maioria, mas decididas no topo, e podemos estar certos que estas beneficiarão os poderosos. A sociedade desigual arrisca de se tornar ainda mais mal concebida, com privilégios cada vez maiores para uma minoria.

Felizmente, no norte como no sul, mulheres e homens perceberam que globalmente estamos no caminho errado, que a via da mundialização que nos é apresentada como desejável e inegável leva-nos directamente à catástrofe. Perceberam também que já nada há a esperar dos governos, comprometidos e dominados pelo dinheiro. As nossas, assim chamadas, democracias ocidentais nada têm de democrático.

Quando nos perguntaram antes de enviar soldados bombardear o Iraque ou o Kosovo? Antes que os alimentos geneticamente modificados terem invadido as prateleiras dos supermercados? Antes de mudar as regras do subsidio de desemprego? Antes de dar cabo do nosso sistema ferroviário? De facto, antes de tomarem todas estas decisões que afectam directamente as nossas vidas? Os que decidem por nós estão comprados pelas classes de capitalistas internacionais. A população aceita esta situação porque se deixa subverter pela forte máquina ideológica do capitalismo.

O maior perigo neste momento é a passividade. Apresentam-nos a mundialização como uma tendência inevitável, dizem-nos que depois do fracasso do socialismo, o capitalismo e a lei de mercado é a única via possível. Nada disto é verdade. Sem conhecer todas as soluções aos problemas sociais e ambientais com que nos deparamos, sem ter uma visão precisa do que será a sociedade ideal. Há certamente outras vias de acção que permitam o progresso para uma eco-sociedade, uma sociedade em que os humanos vivam em harmonia entre eles e a natureza. Em suma, trata-se de abolir a submissão à economia e criar uma sociedade que favoreça o bem-estar completo de todos os seus membros.

Como fazer estas mudanças? Não tenho a pretensão de conhecer A estratégia a adoptar que nos leve a essa sociedade desejável onde todas e todos possam viver convenientemente, em comunidades solidárias onde os seus filhos poderão, mais tarde, viver. Mas a minha longa experiência de militância, as minhas numerosas leituras e as minhas longas horas de reflexão levaram-me à estratégia que se segue. Acredito que por agora é necessário por em marcha acções em três frentes, que estão, aliás, intimamente ligadas:

1)Libertar-se do sistema: a cada um de tomar as medidas de forma a sair da cadeia de sobre-consumo- necessidade de ganhar muito dinheiro- stress e cansaço- passividade. A simplicidade voluntária é uma via que permite reencontrar tempo para viver e agir.

2)Unir-se para fazer mais com menos: desenvolvendo as nossas comunidades locais, criarmos serviços que permitem viver melhor a menor custo e que respondam melhor à totalidade das necessidades.

3)Criar organizações nacionais e internacionais eficazes que permitam que a nossa voz seja ouvida alto e bom som para impedir os governos de continuar esta via neoliberal.

Não tenhamos ilusões, o capitalismo não cederá facilmente. Ao poder do dinheiro devemos opor-nos com poder dos números, da imaginação e da tenacidade.
Não tenho intenção de desenvolver aqui as duas últimas acções, mas não gostaria que se pense que é por as julgar menos importantes.

Serge Mongeau
Vers la simplicité volontaire em http://www.decroissance.org/

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O CAPITALISMO SOMOS NÓS parte II

Num belo dia em que aqueles-que-comem decidam perceber de onde vem e como nasce a sua comida;
Decidam aprender com os poucos que ainda amam a terra e a cultivam a fazer crescer os seus frutos e como se alimentar deles;
Decidam construir
redes entre uns que se dedicam a plantar tomates e cebolas para as fazer trocar pelas batatas e cenouras que outros ajudaram a crescer;
Decidam perceber que no tempo que lhes restar dessa semana de 3 horas de cultivo da terra, uns poderão dedicar-se a ensinar os filhos dos vizinhos a ler ou a aprender matemáticas, outros dedicar-se a cozinhar essas batatas, cebolas e cenouras, e a oferecê-las numa tasca a alguém que traga um bom vinho ou bom pão;
Decidam usar esse tempo para se apropriar das técnicas elementares que lhes permitam acender lâmpadas, ouvir rádio, ver filmes, pôr camionetas a andar com restos de comida, recuperar casas, utilizar até à exaustão todos os objectos, todos os restos, todos os destroços que o capitalismo produziu à custa da anulação da sua vida;
Nesse dia as notas ficarão a apodrecer nos bancos e nas caixas registadoras, e serão papeis duros demais para limpar o cú.

1/5 Dinheiro como débito (2006) [Captions + legendas Pt ]

terça-feira, 8 de junho de 2010

O CAPITALISMO SOMOS NÓS parte I

Foi há cento e tal anos a última vez que um economista se dedicou a contabilizar as horas de trabalho necessárias para produzir toda a comida que se produz no mundo.

Já nessa altura se chegou a uma conclusão brutal: se todos aqueles que se vê obrigados a trabalhar se dedicassem apenas a produzir toda a comida que se produz no mundo, passariam apenas 3 horas por semana entregues a essa tarefa!

Hoje, com outras técnicas, as horas de trabalho necessárias para produzir toda a comida que se produz no mundo estarão mais reduzidas a uma ínfima parte de todo o trabalho que hoje se realiza no mundo.

O resto serve para quê?

domingo, 6 de junho de 2010

A Vida depois do Crescimento



Life After Growth - Economics for Everyone from enmedia productions on Vimeo.

Precisamos encarar a realidade pelo que ela é, e não pelo que desejamos que seja, ou o que os outros desejam que seja, como jornais, TVs e seus Patrões, nossos líderes e outros mega agiotas...
Precisamos prepararmo-nos para o futuro, que está cada vez mais próximo.
Precisamos voltar à terra e à comunidade.

sábado, 5 de junho de 2010

Como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo




16 de Dezembro de 2009
Roberto Pérez Rivero é um biólogo cubano, pioneiro da permacultura na ilha e uma referência para os defensores da agricultura sustentável. Entrevista de Ricardo Coelho, em Copenhaga.


Uma delegação de Cuba tem estado presente no Fórum pelo Clima para dar alguns workshops sobre a sua experiência com a superação da dependência do petróleo e a promoção da agricultura biológica e das hortas urbanas. Falei com Roberto Pérez Rivero, permacultor, sobre a sua experiência, que tem inspirado tantos defensores da agricultura sustentável por todo o mundo. Apesar da minha posição crítica em relação ao regime político cubano, creio que este é um exemplo que devemos seguir e estudar atentamente.

Pode falar-me da experiência cubana com a superação da dependência do petróleo?

Depois do colapso da União Soviética, estando nós ainda a sofrer com o bloqueio dos EUA, tivemos de encontrar soluções para a nossa independência energética. Um dos nossos enfoques foi a mudança do nosso sistema de produção agrícola, seguindo os princípios da permacultura, um sistema de agricultura sustentável. Reduzindo a utilização de máquinas e de fertilizantes químicos (feitos com base em petróleo) reduzimos muito o nosso consumo energético. Também alteramos os nossos hábitos alimentares, de modo a comer menos carne e mais vegetais.

Ao mesmo tempo, investimos muito em medidas de eficiência energética. Por exemplo, o governo distribuiu gratuitamente lâmpadas de baixo consumo por toda a gente. Ao mesmo tempo, a rede de transportes públicos gratuitos foi ampliada e o uso do automóvel privado é algo raro hoje em Cuba. O governo deu o exemplo tornando obrigatório que os seus membros dêem boleia a quem lhes pede nas suas deslocações de automóvel.

Outro importante aspecto é o investimento nas renováveis em pequena escala. O governo instalou painéis solares fotovoltaicos em casas, escolas e hospitais e criou parques eólicos, reduzindo drasticamente a nossa dependência de combustíveis fósseis.
Esta experiência está relatada no filme “O poder da comunidade: como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo” (http://www.powerofcommunity.org/), que aconselho todos a ver. 



A revolução agrícola teve também impactos na vossa soberania alimentar.
Sim, antes dos anos 90, a nossa economia dependia muito de importações. Quando perdemos parceiros comerciais, a economia colapsou, o fornecimento de alimentos foi travado e o cubano médio perdeu cerca de 13 kgs. Foram tempos difíceis, que nos forçaram a repensar tudo. Então, começamos a encher as cidades com hortas urbanas, ocupando edifícios abandonados, espaços de estacionamento e jardins públicos. Como não tínhamos fertilizantes ou pesticidas químicos, recuperamos modos de produção tradicionais e inventamos alternativas biológicas. Hoje, as nossas cidades obtém a maioria dos seus alimentos destas hortas.





A revolução agrícola e energética é apresentada como uma iniciativa comunitária. Como foi isso possível num país onde o governo controla apertadamente a economia?
Há muitos mitos em torno de Cuba, um deles é o de que os cubanos não têm qualquer poder sobre o processo de tomada de decisões. O papel do governo foi importante no apoio a este processo de transformação mas fomos nós, com o nosso esforço, a mudar a face do nosso país. Isto seria possível num país capitalista, onde as empresas mandam nos governos?
Encontramos uma solução para os nossos problemas. Não é perfeita, mas é algo que estamos a construir. Só exigimos que nos respeitem e que não nos exijam para mudarmos a forma como vivemos as nossas vidas.





Mas também vemos hortas urbanas a nascer em países capitalistas, não?
Claro, isso só mostra como o conceito de produção local e sustentável pode ser aplicado em todo o lado. Em Nova Iorque, os bairros pobres nos subúrbios eram povoados por criminosos e traficantes de droga. Mas as comunidades latinas fizeram o que puderam para transformar os bairros em locais agradáveis, criando hortas urbanas onde cultivavam a sua comida. A experiência foi tão bem sucedida que o Presidente da Câmara Rudy Giuliani quis entregar a área a imobiliárias mas os residentes revoltaram-se e conseguiram travá-lo.






Como é que Cuba é afectada pelas alterações climáticas e quais são os vossos planos para a adaptação?

Em Cuba já se sentem os efeitos das alterações climáticas. No ano passado, um furacão destruiu grande parte das nossas culturas e tivemos de importar de novo alimentos. Isto foi duro mas nós não desistimos.

Estamos a fazer a nossa parte. Reduzimos o nosso consumo de energia. Aumentamos a nossa área de florestas em 12% (uma área equivalente a El Salvador) e planeamos ter 36% do nosso território coberto com florestas e 35% com áreas protegidas. Já quase não usamos petróleo importado e aprendemos a respeitar a natureza. E fizemos tudo isto sem receber créditos de carbono e sem investir em energia nuclear, só com o poder da comunidade e a aposta nas renováveis. Estamos a construir uma sociedade socialista não só para nós mas também para os nossos netos.
As alterações climáticas vão tornar a nossa vida mais difícil, mas não nos vão derrubar. Já recuperamos muitas vezes de situações difíceis, nós encontramos sempre uma forma de nos levantarmos de novo.
Ver mais

Fonte: Esquerda.net

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Colapso (2009)



(EUA, 2009, - Direcção:Chris Smith)
Para não falar que ninguém nos avisou sobre o provável futuro que teremos...
Aprenda com Michael Ruppert, uma das mentes mais brilhantes dos EUA, cheio de conhecimento, clareza, discernimento de preocupações e de amor pela humanidade. Suas previsões são infalíveis, seu cepticismo é arrebatador.
(docverdade)

Comentários docspt: De uma forma geral, os Americanos preferem ouvir boas notícias. Gostam de acreditar que o novo presidente irá corrigir o que está mal, que a energia limpa irá substituir o petróleo e que uma nova linha de pensamento irá tornar honesta a economia. Estudiosos americanos tendem a conter o seu pessimismo e a esperar pelo melhor. Mas estará alguém preparado para o pior?
Conheça Michael Ruppert, um americano diferente. Ex-policial de Los Angeles que virou jornalista independente, ele previu a actual crise económica no seu folheto informativo, "From the Wilderness", numa altura em que a maioria dos analistas em Wall Street e em Washington estavam ainda em negação.
(...)
Colapso serve também como retrato de um solitário. Com o passar dos anos, Ruppert manteve-se fiel ao que acredita apesar de feroz oposição. Ele descreve candidamente os sacrifícios e motivações da sua vida. Enquanto outros observadores analisam detalhes da crise económica, Ruppert vê-a como um sintoma de nada mais do que o colapso da própria civilização industrializada.

Versão Completa Youtube

Torrent - Legendas pt-po

sábado, 15 de maio de 2010

Un Poquito de Tanta Verdad - A Little Bit of So Much Truth (2007)



(EUA, 2007, 93min. - Direção: Jill Irene Freidberg)

Excelente oportunidade de ver a relação entre média e poder!

Comentário dos produtores:
"No verão de 2006 explode um levante popular massivo no estado de Oaxaca no sul do México. Alguns o compararam à Comuna de Paris. Porém, o que realmente fez historia em Oaxaca foi as novas formas de organização social que apareceram, as novas formas de tomadas de decisão, a negação de todas as instuições estatais e também o uso dos meios de comunicação.
Um Poquito de Tanta Verdad mostra o fenômeno sem precedentes que teve lugar quando dezenas de milhares de professores, donas de casa, comunidades indígenas, trabalhadores da saúde, camponeses e estudantes se apoderaram de 14 emissoras de radio e de uma emissora de televisão, utilizando-as para organizar, movimentar e finalmente defender sua luta por justiça social, cultural e econômica"

Google Video

Torrent

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Revolução dos Cocos - Coconut Revolution - Bougainville Our Island Our Fight (1999)

Impotentes perante um mundo capitalista selvagem? Vejam isto então...




(Reino Unido, 1999, 50min. - Direção: Dom Rotheroe)

Imperdível !!! A história contada por esse documentário é tão incrível, que poderia ser uma fábula.

Imagine a população de uma ilha - desapropriada por uma concessão de extração de cobre – cansada de ver suas matas serem destruídas, sabotam as instalações da maior empresa mineradora do mundo.
Depois disso, enfrentam com flechas, as metralhadoras do país que domina a ilha, depois enfrentam o militares da Austrália, depois os mercenários e um embargo de 7 anos.
Como conseguir armas, alimentos, combustíveis, energia eléctrica e medicamentos com o embargo?
Criatividade, optimismo e força de vontade transformaram esse povo da ilha de Bougainville num dos melhores exemplos de sustentabilidade e resistência do mundo.
Talvez, juntamente com "The Take" o mais belo documentário aqui postado.
(Sinopse original do docverdade)

Revolução dos Cocos no youtube


Torrent - Legendas pt-br

A nossa fúria e a nossa revolta, por BAPTISTA-BASTOS




2010.05.05
Não me recordo de termos sido felizes. O 25 de Abril abriu as parangonas dos nossos testemunhos mútuos, mas a festa durou, apenas, pouco mais de ano e meio. A euforia termina sempre na indolência, outro modo de resignação. Desde que me recordo, vivi cercado pela crise, mas, também, pelos acenos dos "amanhãs que cantam." Com este ou com outro estribilho, os homens admitem o sofrimento e, às vezes, até, a abjecção das épocas, na esperança de que o futuro será melhor. Talvez eu seja um pouco tonto, talvez, ou um teimoso obstinado e caturra; porém, continuo a acreditar no surgimento de outra coisa que substitua esta selvajaria sufocante.
Acordamos e deitamo-nos sob a pressão da catástrofe iminente. A imprensa, as rádios e as televisões encharcam-nos de medo e de desassossego, a moderna aptidão para se abraçar um certo estado de vida. Viver no medo e no desassossego foi a ideologia dominante nos cinquenta anos salazaristas. Um medo e um desassossego larvares, prolongados, depois, pela natureza canibal de uma economia, que assaltara, de mão armada, a política, e ameaça a saúde da democracia. Como, aliás, se vê por aí.
Emmanuel Mounier, o filósofo do personalismo, que li, e releio, com mão diurna e nocturna, escreveu: "O homem renova, perpétuamente, o aspecto das suas indignações" - para nos ensinar do transitório das coisas e da necessidade de não perdermos o fio à meada de uma batalha nunca ganha mas também nunca perdida.
Chegámos a uma situação perigosa. O papel essencial do trabalho, na sociedade, é desprezado por uma laia dirigente, emproada e vil, ignorante da experiência da História, e que não sabe redefinir as bases do contrato social. O caso da Grécia, independentemente dos seus contingentes pecados, é significativo dessa vileza. A senhora Merkel, cuja cabeça não é, propriamente, um bulício de inteligência, desconhece que o projecto europeu (seriamente avariado) constitui a aprendizagem de viver juntos. Ao recusar auxiliar os gregos, nomeava a Alemanha como dona da Europa. Ignorava que a Europa ajudara a Alemanha a recompor-se das ruínas, pressionando, inclusive, os Estados Unidos a colaborar na empresa.
Ainda há horas vi, na televisão, o rosto desfeito em lágrimas, em dor, em susto, em assombro, de uma desempregada da Allcoop, cadeia de supermercados no Algarve, que formulou esta dramática pergunta: "Quem nos ajuda?" Ninguém. Com esta Europa, com este, e outros ruinosos governos, cheios de piedade sentenciosa e de explicações superficiais, nada há a esperar.
Resta-nos a fúria da nossa repulsa e a força imparável da nossa revolta.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Histeria papal, e outros berros...






As decisões do aparelho político dirigente das classes burguesas, a propósito da vinda do papa católico a Portugal, revelam a sua refinada hipocrisia, assim como constituem mais uma prepotência em relação às classes exploradas e ao povo deste País.

Numa altura de “crise”, em que se exigem enormes sacrifícios aos trabalhadores, esbanja-se grande quantidade de dinheiro (a nível público e privado), numa operação de
marketing e fausto, que constitui um enorme escândalo. Isto, para além de considerarmos que as posições assumidas por este papa, ao longo da sua vida, têm sido geralmente retrógradas e violadoras das liberdades dos homens e mulheres deste nosso mundo.

A "crise" é, de facto, só para alguns...


O texto que se transcreve a seguir foi retirado do excelente blogue
http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

O povo saiu à rua num dia assim

Que me desculpe o povo deste país mas gente mais aparvalhada não há. É comodista, resignado e pouco dado a incomodar-se.

Não sai à rua para defender os direitos que todos os dias lhe roubam, não sai à rua para defender os empregos que lhe tiram, não sai à rua para defender os salários que cada dia são mais de miséria, não sai à rua para correr com os corruptos que por ai andam, não sai à rua para exigir justiça, não sai à rua para acabar com a pouca vergonha dos compadrios pagos a milhões, nem para impedir que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado para salvar os bancos e não o país.

Não sai à rua para lutar, mas vai em peso saltar para a rua quando o seu clube ganha um campeonato, e vai voltar a sair para ver o papa.

Depois, quando tudo desabar, lá vão a Fátima pedir aos santinhos que os salvem.

Ontem à noite bem tentei saber notícias deste país e deste mundo, mas só dava futebol e mais futebol. Horas e horas como se nada mais fosse importante. Hoje saltaram de alegria e amanha vão ver o papa. Bons temas de conversa para terem depois de amanha na bicha do centro de emprego.

sábado, 8 de maio de 2010

Bolonha: dez anos de indigestão


No passado dia 15 de Março, foram assinalados os dez anos da assinatura da Declaração de Bolonha. O acordo, celebrado entre cerca de 47 países, previa a formação de um espaço transnacional de ensino superior que possibilitasse um maior intercâmbio entre instituições e uma maior mobilidade dos seus estudantes. Desde o início, os objectivos de Bolonha eram facilmente evidenciáveis, sendo possível identificar no seu texto os habituais chavões neoliberais, como a «promoção da competitividade entre instituições» ou o fomento dos níveis de «empregabilidade» dos seus formados. Se a retórica pouco enganava, a sua aplicação prática não deixaria margens para dúvidas.
Em Portugal, a assinatura da declaração irá gerar, directa ou indirectamente, profundas mudanças no sistema de ensino superior. O valor de propinas, até então fortemente contestado, sofre um aumento brutal (superior aos 100%), tornando cada vez mais difícil a condição dos estudantes com menores rendimentos. Perante uma acção social escolar incapaz de responder a estas situações, a banca consegue uma maior penetração no ensino superior, aproveitando o vazio criado pelo estado. Através do seu sistema de empréstimos a estudantes, iniciam os jovens numa prática adulta: o endividamento.
Ao aumento de custos, contrapõe-se a diminuição da qualidade de ensino. A necessidade de se fabricar trabalhadores qualificados, prontos a alimentar qualquer call-centre ou centro comercial, conduziu à diminuição do número de anos de licenciatura (de 4 para 3) e ao aumento dos cursos de mestrado, não sujeitos a financiamento público. Bolonha, deste ponto de vista, parece procurar impor nas universidades um quase apartheid de classe: os mais pobres ficam cada vez mais afastados do ensino superior; os que têm alguns recursos têm uma licenciatura com menos anos, mas a um maior preço; os mais privilegiados têm a possibilidade de vir a complementar a licenciatura com a frequência de mestrado.
A redução do orçamento para o superior, verificada ao longo da última década, traduziu-se igualmente na precarização dos docentes – assinalada pela introdução de um novo jargão economicista: o conferencista, professor universitário a recibo-verde – e na subcontratação de algumas das suas esferas, nomeadamente dos serviços de cantina.
Porque enquanto houver infâmia, haverá resistência, vários grupos de estudantes organizaram uma cimeira alternativa, paralela à conferência europeia, com o objectivo de contestar a transformação do direito à educação em mercadoria, e de construir alternativas e estratégias comuns.
Para a próxima 4ª feira, 24 de Março, dia do estudante, algumas associações de estudantes (ESAD das Caldas da Rainha e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) estão a mobilizar para uma manifestação em Lisboa pelo ensino superior público, enquanto que em Coimbra decorrerá uma acção simbólica.

War Dance (2007) - A Dança da Guerra


(EUA, 2007, 107 min. - Direção: Sean Fine, Andrea Nix)

Maravilhoso!
Tocante e envolvente história de delicadeza em meio ao sofrimento.
Numa zona de guerra extremamente conflituosa, onde a violência humana parece não ter limite para tanta barbárie, surge, numa escola infantil, a música. As crianças, muitas delas que testemunharam assassinatos de seus pais, sequestros de seus irmãos, a perda de tudo, tem um momento para poder esquecer o desespero de suas vidas nos campos de refugiados para participar do maior concurso de música e dança de Uganda.

"Música é a nossa tradição, nem a Guerra pode tirá-la de nós".
(Comentários: Docverdade)

Trailer

Torrent TPB - Legendas Pt-PO(OpenSubtitles) - Legendas pt-po (EasyShare)